terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ontem uma bola de beisebol
Hoje uma granada de mão

A bola preta e branca que ele brincava com toda sua habilidade até chuta-la para o gol, hoje é um capacete verde-oliva , que é chutado,não com a mesma habilidade, nem tão pouco com a mesmo felicidade.

o tiro nas latas em parque de diversoes,eram substituídos por tiros de Ak-47.

Ontem ele se abaixava para brincar de esconde-esconde,hoje ele se abaixa na brincadeira de cumprir uma missão

ontem a bandeira que ele exaltava todas as sextas feiras. com um hino,
hoje fora posta em cima de seu caixão.
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adultos sorriem, crianças riem
adultos evitam chorar em publico, crianças não
adultos abandonam animais, crianças fazem carinho em animais abandonados
adultos matam desconhecidos, crianças chamam desconhecidos de "amigo"
mesmo se eu pudesse voltar no tempo,não mudaria minha infância,
poois foi a unica parte pura de minha vida
mudaria minha adolescência, até mesmo minha velhice,
para poder ser cada dia, o mais infantil possível

segunda-feira, 11 de outubro de 2010


Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, e ainda assim, você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte para mim.

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Eu e você deitados na areia
de rosto colado brisa lua cheia
encontros do mar
romantismo no ar
foi lindo demais eu te encontrar
faz bem ter voce aqui
na minha ilha
curtindo a vida
o melhor de tudo
é gritar pro mundo
só você e eu





domingo, 10 de outubro de 2010

Passeio Noturno parte 1 - Rubem Fonseca


Carro aprende com dono para evitar acidentes

Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas,

Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa de cabeceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, “você está com um ar cansado”. Os sons da casa: minha filha no quarto dela, treinando impostação de voz, a música quadrifônica do quarto do meu filho. “Você não vai largar essa mala?”, perguntou minha mulher, “tira essa roupa, bebe um uisquinho, você precisa aprender a relaxar”.



Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisas sobre a mesa, não via as letras e números, eu esperava apenas. “Você não pára de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa”, entrou a minha mulher na sala com o copo na mão, “já posso mandar servir o jantar?”.



A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescido, eu e a minha mulher estávamos gordos. “É aquele vinho que você gosta”, ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu, nós tínhamos conta bancária conjunta.



“Vamos dar uma volta de carro?”, convidei. Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. “Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu que cada vez me apego menos aos bens materiais”, minha mulher respondeu.



Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem, impedindo que eu tirasse o meu. Tirei os carros dos dois, botei na rua, tirei o meu, coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixaram levemente irritado, mas ao ver os pára-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava a sua força em silêncio, escondido no capô aerodinâmico. Saí, como sempre sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta, nesta cidade que tem muito mais gente do que moscas. Na Avenida Brasil, ali não podia ser, muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras, o lugar ideal. Homem ou mulher? Realmente não fazia grande diferença, mas não aparecia ninguém em condições, comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio era maior. Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mais fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou de quitanda, estava lá de saia e blusa, andava depressa, havia árvores na calçada de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande dose de perícia. Apaguei as luzes do carro e acelerei. Ela só percebeu que eu ia para cima dela quando ouviu o som da borracha dos pneus batendo no meio-fio. Peguei a mulher acima dos joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada rápida para a esquerda, passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando, de volta para o asfalto. Motor bom, o meu, ia de zero a cem quilômetros em nove segundos. Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de sangue, em cima de um muro, desses baixinhos de casa de subúrbio.



Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelos pára-lamas, os pára-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.


família estava vendo televisão. “Deu sua voltinha, agora está mais calmo?”, perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fixamente o vídeo. “Vou dormir, boa noite para todos”, respondi, “amanhã vou ter um dia terrível na companhia”.

sábado, 9 de outubro de 2010

os 3 mal amados- João Cabral de Melo Neto


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

domingo, 12 de setembro de 2010

Hoje resgatei um ser humano


Os seus olhos encontraram os meus, enquanto ela caminhava pelo corredor olhando apreensivamente para dentro dos canis. Imediatamente, senti sua necessidade e sabia que tinha de ajudá-la. Abanei minha cauda, não tão entusiasticamente para não assustá-la.

Quando ela parou em frente ao meu canil, tampei sua visão para que não visse o que eu tinha feito, no canto de trás. Não queria que ela soubesse que ninguém ainda havia me levado para um passeio lá fora. Às vêzes, os funcionários do abrigo estão muito ocupados e não gostaria que ela pensasse mal deles.

Enquanto ela lia as informações a meu respeito, no cartão pendurado na porta do canil, eu desejava que ela não sentisse pena de mim, por causa do meu passado. Só tenho o futuro pela frente e quero fazer diferença na vida de alguém. Ela se ajoelhou e mandou beijinhos para mim. Encostei meus ombros e minha cabeça na grade, para confortá-la. As pontas de seus dedos acariciaram meu pescoço; ela estava ansiosa por compania. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto e, então, elevei uma de minhas patas para assegurá-la de que tudo estaria bem.

Logo, a porta de meu canil se abriu e o seu sorriso era tão brilhante que, imediatamente, pulei em seus braços. Prometi mante-la em segurança. Prometi estar sempre ao seu lado. Prometi fazer todo o possível, para ver aquele sorriso radiante e o brilho em seus olhos.

Tive muita sorte dela ter vindo até o meu corredor. Há ainda tantas pessoas por aí, que nunca caminharam pelos corredores... Tantas para serem salvas... Pelo menos, pude salvar uma.

Hoje, resgatei um ser humano...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Meio ambiente é o caralho

Esses pessoal da ecologia, do meio ambiente, salve as baleias, são uns chatos. Eles quer impedir o pogresso do município. Querem acabar com o turismo, com o comércio. Querem que a cidade fique sempre pequena. Mas eu vou passar por cima deles tudo. Eu posso até não ser uma pessoa instruída, mas nasci aqui, conheço todas as família. Por isso que eu já fui prefeito cinco vezes e ainda vou ser mais. Ano que vem, entra meu filho que eu já tô no segundo mandato. Mas depois eu volto.

Já expliquei tudo pro Junior. Primeiro, vâmo acabar com essa lei de prédio com menos de três andar. Antes, até dava. Mas o turismo tá crescendo, cada vez vem mais veranista pra passar o verão e a gente tem que agüentar receber todo mundo. Se não fosse esses pessoal que ficaram enchendo o saco pra tombar os morro, a gente dava um jeito de facilitar as construtora pra fazer mais uns condomínio. Mas agora só dá pra crescer pra cima. Versiti, verfiqui... vestiliza... verti... Porra, crescer pra cima, fazer prédios mais alto. A culpa é desse pessoal da USP que vem pra cá botar coisa na cabeça dos pessoal, dessa turma daqui que é inguinorante que nem eu, só que fica falando esses negócio de meio ambiente, projeto de tartaruga, núcleo sei lá do quê. Núcleo é o caralho. Eu quero lá saber de tartaruga?

Eu quero ver é o dinheiro dos turista entrando, o comércio vendendo bem na temporada. Mas esses pessoal fica lá perturbando. Não pode som alto de noite, não pode treiler na praia, não pode carro entrar nas cachoeira. E os barzinho de noite? Como é que fica? Os turista gosta de música, de ouvir MPB ao vivo e beber cerveja. Aí esses pessoal verde não quer deixar. Só que eles vão ver que quem manda nessa porra é eu. Vou botar a guarda municipal, que foi eu que inventou, pra tomar conta das construção dos prédio novo. E se vier meio ambiente, eu mando atirar. Se o povo votou ni mim, é porque eles apóia os meus projeto. Na Câmara não tem pobrema. Os vereador tá tudo comigo. Sou eu que pago eles, caralho. Eles tudo vai votar na lei que deixa construir os prédio. Depois não pode mais mudar. Vai ser lei municipal.

Mas esses pessoal da ecologia não desiste, e pode reparar: esses pessoal da ecologia é os mesmos que nadam pelado na praia, que usam tóxico. Eles é que agride as família do município, eles é que fica com AIDS espalhando pra todo mundo com esse negócio de homossexual. Pra mim, esse negócio de homossexual é todos viados. Construir condomínio nos morro não pode porque é do governo federal que não quer nem saber dos município. Mas construir prédio alto é da Prefeitura e dos vereador. E eu vou construir mesmo, já até abri umas concorrência das empreiteira. Agora também não pode escolher quem vai fazer as obra. Tem que abrir concorrência. Eu até preferia que as firma particular fizesse as obra, mas elas ficam com medo desses pessoal da ecologia, do meio ambiente.

Só que eu não vou desistir, não. Vou fazer as obra com os recurso do município. Depois, quando os turista trouxer bastante dinheiro, todo mundo vai me agradecer, até o meio ambiente quando tiver ganhando dinheiro. São esses pessoal que vedem sanduíche na praia. Sanduíche natural, essas coisa de homossexual. E se os turista não vier, eles também não vende e fica tudo com AIDS, lá na Santa Casa, pedindo os coquetel que o Governo Federal manda. A Santa Casa tá lá, cheia de homossexual. Não tem nem espaço pras família direitas. Antigamente só tinha um homossexual, que era o Eunápio, que nem era homossexual mesmo, era só bicha. O Eunápio servia porque ele fazia os concurso de miss, o carnaval, essas coisa de cultural. Agora tá cheio de homossexual viado pelas rua, abrindo salão de cabeleleiro. Junta tudo, os pessoal do meio ambiente, os pessoal da USP, os pessoal dos surfista, os viado e até os aluno do colégio. Vão tudo lá fazer passeata de bagunça só pra atrasar o pogresso.

Eles acha que são moderno, mas eles é é muito atrasado. Moderno é os prédio alto. Moderno é os turista que traz dinheiro pro município. Moderno é as obra que eu tô tocando pra fazer os estacionamento pros carro dos turista.

Esses pessoal do meio ambiente fala que eu sou ladrão, mas é tudo mentira. Eu tenho os meu terreno, as minha imobiliária, os meus posto de gasolina, os meus bares. Não preciso ficar roubando nada, porque eu já sou rico. E o povo sabe disso, por isso é que sempre votam ni mim. É só vender uns terreno, uns apartamento pros turista, que eu já ganho dinheiro. Esses pessoal do meio ambiente gosta é de tumultuar. Eles fica tentando fazer impiche comigo, mas não adianta porque os vereador é tudo meu e os juiz também e eles sabe que eu não roubo, que eu só quero o pogresso do município.

Qualquer hora, eles vão me encher tanto, que aí eu não me candidato mais. Aí o município vai ficar tudo com esses pessoal homossexual do meio ambiente. Aí não vai vim mais turista e vai ficar todo mundo com uma mão na frente e outra atrás, cheio de tartaruga do núcleo dos pessoal da ecologia. Aí é que eu quero ver. Porque esses pessoal é muito chato. Não pode matar tartaruga, não pode matar lagosta, não pode matar até uns tipo de peixe com ova. Quando eu não querer mais ser prefeito, até os índio vão voltar. Vai ficar todo mundo atrasado que nem índio, que fica dormindo lá no coreto da praça e a gente não pode nem mandar a polícia pra jogar creolina neles pra eles ir embora. Os pessoal da ecologia também tem essa mania de índio. Eles nem sabe que eu dei uns terreno que eu tinha pros índio fazer aldeia e não ficar na praça vendendo cesto e pedindo dinheiro, enchendo o saco dos turista.

Só que esse negócio de meio ambiente é só moda desses pessoal da ecologia. Depois que a moda passar, vocês vão ver, vai tudo ficar do meu lado de novo, porque eles sabe que eu sou bom pro município, que eu é que faço o pogresso, que deixo os pessoal construir as coisas deles sem mandar fiscal da prefeitura pra ver se as planta estão certa. Eu é que quebro o galho dos pessoal que quer abrir os treiler na praia sem banheiro. Eu é que deixo os pescador pescar lagosta, tartaruga, essas coisa que o meio ambiente não deixa. Se não fosse eu, ia ter até onça no município. Ia ter até trombadinha, que eu boto no ônibus e mando pra longe. Se não fosse eu, o meio ambiente já tinha tomado conta de tudo.

[ANDRÉ SANT'ANNA]

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Kate (3)




-Eu disse alguma coisa engraçada? — ele quis saber.

-Foi muito divertido ouvir o senhor dizer que sou linda. Não me sinto nem um pouquinho bonita. Meu jeans está rasgado e minha camiseta ficou imunda.

-Ah, sim, suas roupas estão com aspecto atroz. Mesmo antes de ficar arruinadas, não deviam ser grande coisa. Jeans e camiseta... Um traje nada feminino.

-Mas eu estava...

-Contududo - ele prosseguiu, ignorando a interrupção - com esse rosto oval, o cabelo meio ruivo, e esses olhos enormes, verde esmeralda, é uma linda moça, srta. Walsh.

Kate remexeu-se no assento.

-O que acha que eu deveria vestir para uma excursão na montanha, sr. Andronikos? Vestido de noite e sapatos de salto alto? — perguntou, aborrecida com a crítica, sem se importar com os elogios.

-Vocês, inglesas, são de amargar - ele replicou. - Não conseguem aceitar um galanteio sem discutir.

- Não sou inglesa - Kate protestou. - Sou australiana.´

- Que seja, australiana. E, para fazermos as pazes, admitirei nas roupas são bem apropriadas para andar pelas montanhas. Mas não entendo o que estava fazendo aqui, sozinha.

-Tirando fotos - ela explicou com azedume.

- E o Senhor, o que estava fazendo? - Ele sorriu, complacente. -Estava voltando para o meu hotel mais novo, em Sithoniá, escolhi o caminho das montanhas por causa do panorama espetacular. Para felicidade, sua, não é mesmo?

- É verdade - ela admitiu com relutância. Tomou um rápido gole de café e sorriu timidamente. — Nem pode imaginar.Como fiquei feliz quando vi o carro descendo pela encosta. Ja estava pensando que teria de passar a noite...

Ela se calou de repente, sentindo um nó na garganta. Os olhos dele brilharam de compaixão.

- Agora está em segurança — afirmou.

- Obrigada, sr. Andronikos.

-Não acha que já podemos dispensar formalidade? Meu nome é Phillip

-Esta bem - ela concordou, um pouco mais animada.

-Assim é melhor. Agora, acabe seu café e seguiremos seguimos o caminho. Para onde estava indo, antes do terremoto?

- Para Nyssa, uma vila a oitenta quilômetros daqui conhece ?

- Conheço. Duvido que possamos chegar até lá, mas não custa tentar .

Momentos depois ela lhe entregou a xícara vazia, que ele no bolso da porta.
Philip apertou o cinto de segurança a chave na ignição.

-Pretendo ir bem devagar - explicou. - Entrei em contato com meu secretário e ele me deu todas as informações que conseguiu, sobre os estragos causados pelo terremoto. Pelo a estrada está desimpedida daqui até Pirgadikia, mas .ainda há muitas pedras na estrada.

- Entendo.

-É fotógrafa profissional, não é?

- Sou — Kate concordou, admirada.- Como sabe?

-Isso é obvio, minha querida. O equipamento fotográfico que leva naquela bolsa deve valer duzentas mil reais, no mínimo. ou gosta dinheiro atoua é profissional.


Continua...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Kate (2)

Kate girou nos calcanhares para olhá-lo, sobressaltada. O desconhecido era muito alto, parado ali, na obscuridade do crepúsculo.- Ela ergueu a lanterna para ver-lhe o rosto. O homem devia estar por volta dos trinta e cinco anos e embora não fosse tão lindo quanto Kevin Costner, seu astro de cinema favorito, possuía aparência sem dúvida impressionante. Claro, com aquele cabelo escuro, caindo em caracóis ao redor da cabeça, não tinha a mínima semelhança com o loiro Costner, mas mesmo assim Kate admitiu que poucas vezes vira um rosto masculino mais bonito. Os olhos castanhos eram grandes, o nariz curto e reto, e a boca cheia, sensual, ensaiava um sorriso.

Kate baixou a lanterna lentamente, examinando-o. Era musculoso. A calça cinzenta apertava-se nas pernas grossas e a blusa branca, meio aberta, revelava o peito largo. Vestia-se com simplicidade. Contudo tinha uma inegável que uma aura de prosperidade, poder e autoconfiança o cercava.
Por que não parou, quando me viu? — ela perguntou bruscamente, entre aliviada e tensa.

Foi apenas uma retirada estratégica — ele respondeu em tom divertido. -- Achei melhor abrigar o carro ao lado
De um rochedo que ofereceria alguma proteção, no caso de
outro abalo. Essas coisas são totalmente imprevisíveis. Quando
Parece que tudo acabou, a terra torna a tremer. Kate arrepiou-se, só de pensar.

Eu sei — concordou com voz trêmula.
Esta com frio e assustada — ele adivinhou. - Vamos pegar suas coisas. Se tivermos sorte, chegaremos à vila mais próxima Se não tivermos, e tudo balançar de novo, meu carro oferecera um abrigo mais confortável que o seu.


Nada poderia ser mais verdadeiro, Kate constatou admirada,
Quando chegaram ao ponto onde ele deixara o carro sob um saliente rochedo. O homem abriu a porta do passageiro, revelando um interior tão luxuoso que ela ficou
muda, olhando. Os bancos eram de couro legítimo marrom e um celular fora largado no de trás, juntamente com uma pasta escura de cantoneiras e fecho dourados e uma mala de viagem. Kate ficou encabulada quando ele juntou sua mochila surrada e a velha bolsa das câmeras aos seus elegantes pertences

Agora, entre - ele convidou, parecendo alegre. – Pode por lanterna no porta-luvas. Antes de partimos cuidarei desse corte que tem na testa.
-Corte?
- Na linha do cabelo. Não percebeu?
- Não - ela respondeu totalmente incapaz de dizer mais que
monossílabas.

Os dedos longos eram firmes e delicados quando ele começou o curativo. Tirara uma maleta de primeiros-socorros de algum lugar e Kate recuou ao sentir a dor do anti-séptico.
-Só vai doer um pouquinho — ele garantiu, limpando o
ferimento.

Depois, aplicou um pouco de pomada no corte desinfetado e protegeu-o com um curativo adesivo.
Kate acomodou-se no assento com um suspiro satisfeito. Era bom sentir-se protegida, deixar que alguém cuidasse dela. O desconhecido possuía calma admirável e transmitia impressão de grande competência. Ela- nem ficou surpresa, quando ele estendeu o braço para o banco de trás e fez aparecer uma elegante garrafa térmica branca. Com movimentos precisos, encheu uma xícara com café e entregou-a a Kate. Ela experimentou o líquido

-Obrigada — ela agradeceu. -- O senhor é realmente
uma pessoa surpreendente, sr....
-Philip Andronikos. A senhorita é...
- Katherine Walsh. Mas todos me chamam de Kate.
- Kate? — Ele pareceu experimentar a palavra, fazendo uma careta de desagrado.-Um apelido muito feio para uma
jovem tão linda. Vou chamá-la de Katarina.
Kate passou a mão pela massa de cabelo castanho avermelhado, todo despenteado, e riu baixinho.



para ler o começo clique na marcação "kate♥"



continuaa....

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Kate(1)




No acostamento, Kate agitava a lanterna com desespero. O motorista do carro branco tinha que parar! Sentindo um arrepio violento, agarrou a lanterna com mais força.

Reconheceu que estava com medo. Na verdade, começava a ficar apavorada. Com vinte e seis anos, e sendo uma pessoa equilibrada, não costumava entrar em pânico em inações difíceis. Mas nunca estivera num lugar abalado por um terremoto. Como fotógrafa, seu trabalho já a levara a lugares lindos e horríveis, mas até ali nenhuma experiência fora tão chocante.

Descer por uma encosta que tremia como gelatina sob seus esquivando-se de pedras e montes de terra, fora algo terrível. Depois, encontrar o carro alugado semidestruído, sem nenhuma possibilidade de levá-la de volta, fora ainda pior. Já a uma hora que ela estava ali, esperando um veículo passar, morrendo de medo que houvesse outro abalo. O carro branco na sua esperança de salvação. Se não parasse, ela se jogaria no chão e começaria a chorar. Era simplesmente insuportável pensar que poderia ser obrigada a passar a noite naquele local deserto, frio, e sujeito a novos tremores.

O carro chegou ao fim de um trecho fortemente inclinado aproximou-se dela em velocidade cautelosa. De súbito, parou, e Kate exalou um longo suspiro, profundamente aliviada.

Então, do mesmo modo brusco que parará, o carro partiu. Continuou a descer e desapareceu numa curva.

Contendo as lágrimas, ela largou a bolsa das câmeras no chão e subiu alguns metros, tropeçando nas pedras, até chegar a um ponto de onde poderia ver a estrada, lá embaixo. A paisagem era típica da isolada e primitiva região norte da Grécia. A estrada descia em curvas até o fundo do vale, lá embaixo.

O rio era uma cimitarra de prata cortando o cenário sombreado pelo crepúsculo. Pinheiros elevavam-se por todos os lados, recortados contra o céu avermelhado, mas não havia sinal do carro.

- Droga! — Kate exclamou. — Vou precisar armar a barraca e acampar aqui! Por que essas coisas sempre acontecem
comigo?

Voltou para o carro e examinou-o à luz da lanterna, franzindo a testa, aborrecida. Era uma visão desanimadora. Uma pedra grande quebrara o párabrisa, espalhando vidro estilhaçado por todo o banco da frente. Outra pedra caíra na capota e amassara a lataria. Ficou olhando o estrago,indecisa.

Não sabia o que seria melhor: dormir no assento traseiro do carro, ou acampar do lado de fora.

Por fim, tirou um tapete do banco de trás, pensando em simplesmente estendê-lo no acostamento, improvisando uma cama. E se houvesse outro tremor de terra? Onde estaria mais segura: dentro do carro, ou fora?

- Quero que o chão se abra e engula aquele motorista
desalmado! — exclamou furiosa.

- Quanta maldade! — alguém comentou atrás dela.

A voz masculina parecia divertida. O sotaque era grego, mas o homem
falara em inglês.


Continua ? siga e veja a continuaçao (:

continuo em 10 comentarios

sábado, 26 de junho de 2010

Voltando a origem

Muitas pessoas tem um certo preconceito com aquelas pessoas com alguma deficiências mentais e dependentes químicos,lembro que ate a abril de 2010 eu também freqüentava um CAPS(centro de ajuda psico social), e presenciava pessoas psicoticas,bipolares,dependentes.. e afins.
Muitos deles,quando não estavam em surtos,nas terapias de grupo que fazíamos comentavam das lembranças que tinham, pareciam "pessoas normais" e muitas pessoas os olhavam com desdem,como se ele ,ou melhor nós, fôssemos vitimas. Era uma coisa que me deixava muito triste.
Essa semana eu e o povo da ETE (escola tecnica estadual) fomos ate o CAPS para uma entrevista com uma das enfermeiras por causa de um trabalho.
Eessa entrevista, me passou pela cabeça os vários momentos que passei la.
Mas aprofundei mais ainda meus conhecimentos fiquei feliz com o resultado da pesquisa.
o povo viu que nos somos como eles quebrando com o paradigmas. Que pacientes estão ali justamente para se integrar novamente em uma sociedade que eles "foram expulssos".
que pacientes terminais, as vezes tem vergonha de assumir e dizer... ai eu sou um bipolar, ai eu vejo coisas ai, eu era viciado em crack justamente pelo preconceito, que muitas vezes amigos ao invés de ajudar e apoiar, acabam se afastando.
isso me deixava muito deprimido mesmo

quinta-feira, 24 de junho de 2010

51 maneiras de irritar pais


1. Diga “muu” quando te chamarem.

2. Finja que tem amnésia.

3. Fale com eles de costas.

4. Corra com 1 lâmpada nas mãos dizendo “o sol está morrendo!”.

5. Diga que vestir roupas é contra a sua religião.

6. Fique na frente deles às 4 da manhã com um sorrisão e diga “bom dia brilho do sol”.

7. Recite um filme inteiro três vezes.

8. Lute contra si mesmo e se derrote.

9. Puxe um fio de cabelo de alguém e diga “DNA”.

10. Vista 1 camiseta q diga “I’m retarded”.

11. Arrume outro jeito de beber em um copo.

12. Cole seu dedo no nariz com superbonde.

13. Dance tango com seu cão (caso não tenho um cão dance sozinho).

14. Finja ser 1 índio.

15. Ponha na testa 1 casquinha de sorvete e diga que é um lindo unicórnio.

16. Fique acendendo e apagando a luz e depois diga “ah, entendi!”.

17. Coma coisas não comestíveis.

18. Imite seu cão e siga-o pela casa ( caso não tenha cão, basta imitar um ).

19. Segure a mão deles e diga “I see dead people”.

20. Entre no banho e grite “estou me afogando!”.

21. Tente pôr a cabeça num aquário.

22. Grite ‘mentira’ para tudo q eles disserem.

23. Persiga uma cauda imaginaria.

24. Pegue a vassoura da casa e finja ser uma bruxa.

25. Finja ter uma Barata no seu quarto às 2:30 da manhã. E quando eles vierem diga: Ah, era apenas a
minha borracha que estava no chão.

26. Peça para seu pai se pode apertar o botão do andar, quando ele lhe disser o andar, aperte o número errado.

27. Fique olhando para seu pai por alguns segundos e diga: ESTOU USANDO MEIAS NOVAS.

28. Faça barulho de explosões quando apertarem o botão.

29. Bata na cabeça rapidamente e murmure: CALEM A BOCA! TODOS VOCÊS!

30. Abra sua mochila e pergunte se há ar lá dentro o suficiente.

31. Pergunte o sexo do seu pai e quando ele responder ria freneticamente.

32. Quando a porta se fechar fale: CALMA, ELA ABRIRÁ NOVAMENTE!

33. Corra em círculos dentro do elevador.

34. Dê uma palmada nas costas de seu pai (caso esteja somente você e ele) e finja que não foi você.

35. Coloque uma bola na barriga e diga que está grávida (o).

36. Peide na hora do almoço.

37. Arrote na hora do almoço.

38. Quando sua mãe estiver assistindo novela, torque de canal e coloque em um infantil e comece a cantar
junto com a TV.


39. Lamba sua mãe e pergunte se ela não toma banho, porque ela está com gosto muito ruim.

40. Quando tiver almoços em família, almoço com as pessoas do trabalho dos seus pais e quando você for
a um restaurante, peça uma cadeira para os seus amigos imaginários.

41. Jogue o sapato/sandália/tamanco dele ou dela o mais longe possível e fale pra eles que é um
bumerangue.

42. Coloque óculos escuros e esbarre em tudo e derrube algumas coisas e fala que é cego.

43. Ficar “beliscando” eles o tempo inteiro.

44. Quando você estiver defecando grite “mãee” Então ela vai até você e então você diz “Me limpa, eu não quero sujar a mão de novo”.

45. Quando eles estiverem dormindo pergunte se eles estão dormindo.

46. Pegue um ursinho de pelúcia e finja ser seu melhor amigo. Converse tudo com ele e cochiche no ouvido dele, quebre algo da sua casa, ou derrame água no chão e quando sua mãe vir perguntar se foi você, você fala com a cara mais brava do mundo, virando-se para seu ursinho:
-Muito feio, Teddy, vai ficar de castigo!
Daí você pega um sapato joga ele no chão, e espanque-o e grite como louco
sempre falando: PORQUE VOCÊ FEZ ISSO? AGORA VOCÊ VAI APRENDER!
Depois desse show, olha pra sua mãe, mudando subitamente a expressão;
-Oi mãe, você vem sempre aqui?

47. Fale pra sua mãe que é um processador, pegue papel, frutas e todas as coisas que dê pra triturar na boca e mastigue e depois cuspa no chão e pare instantaneamente, como se a bateria tivesse acabado.

48. Quando seu pai chegar do trabalho, corra e dê uma lambida no rosto dele.
Provavelmente ele vai perguntar:
-Minha filha (Meu filho) o que é isso?
Ai você diz:
-Aprendi com meu cachorro. Caso não tenha um cachorro ele vai perguntar que cachorro, e então você diz que você sempre teve um cachorro e que ele é louco.

49. Prenda o seu cabelo em um rabo de cavalo bem alto, chegue pra seu pai e pergunte:
- Pai pergunta o que eu sou?
- O que você é filha(o)?
- Eu sou um helicóptero (daí você começa a girar a cabeça como uma louca(o)).

50. Faça xixi no lixo da cozinha

51. Aperte sempre a campainha sem parar (mesmo se a porta estiver aberta), até alguém abrir a porta pra você (ou vir até você para “abrir”).



Morri x.x

Notas de um observador

Teatro magico

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega se de "mais tralos'.
São inóspitos, nocivos,
poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos,
chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis,
infiéis, "infértebrados".
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se


A cria que se crie, a
dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e
na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de:
o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

domingo, 20 de junho de 2010

Xanel 5


Teatro magico
A minha tv não se conteve
Atrevida passou a ter vida
Olhando pra mim.
Assistindo a todos os meus segredos,minhas parcerias, dúvidas, medos,
Minha tv não obedece.
Não quer mais passar novela, sonha um dia em ser janela e não quer mais ficar no ar.
Não quer papo com a antena nem saber se vale a pena ver de novo tudo que já vi.
Vi.
A minha TV não se esquece nem do preço nem da prece que faço pra mesma funcionar.
Me disse que se rende a internet em suma não se submete a nada pra me informar.
Não quis mais saber de festa não pensou em ser honesta funcionando quando precisei.
A notícia que esperava consegui na madrugada num site, flick, blog, fotolog que acessei.
A minha TV tá louca,
me mandou calar a boca e não tirar a bunda do sofá.
Mas eu sou facinho de marré-de-sí, se a maré subir eu vou me levantar.
Não quero saber se é a cabo nem se minha assinatura vai mudar tudo que aprendi,
triste o fim do seriado, um bocado magoado sem saber o que será de mim.
Ela não SAP quem eu sou,
Ela não fala a minha língua.
Não.
"Pô tô cansado de toda essa merda que eles mostram na televisão todo dia mano, não aguento mais, é foda!"
Enquanto pessoas perguntam por que, outras pessoas perguntam por que não?
Até porque não acredito no que é dito, no que é visto.
Acesso é poder e o poder é a informação.
Qualquer palavra satisfaz.
A garota, o rapaz e a paz quem traz, tanto faz.
O valor é temporário, o amor imaginário e a festa é um perjúrio.
Um minuto de silêncio é um minuto reservado de murmúrio, de anestesia.
O sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia, com a narrativa.
A vida ingrata de quem acha que é notícia, de quem acha que é momento, na tua tela querem ensinar a fazer comida uma nação que não tem ovo na panela que não tem gesto, quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto.

Num passado remoto perdi meu controle...
Era vida em preto e branco, quase nunca colorida reprisando coisas que não fiz, finalmente se acabando feito longa, feito curta que termina com final feliz..

Ela não SAP quem eu sou, Ela não fala a minha língua.
Eu não sei se pay-per-view ou se quem viu tudo fui eu.

A minha tv tá louca.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cresci

Rancore


Eu vivia em uma redoma.
Desconhecia a parte ruim.
Não sabia o que era tristeza,
Até que chegou a hora de meu grande companheiro dar adeus.
Meu querido avô carlos, foi descansar num lugar perto de deus.
Então uma tempestade se fez e alagou com todo meu jardim.

Eu chorei e chorei.
Lembro o quanto foi foda me erguer novamente.
Mas eu fui mais forte, acabei superando.
O meu corte virou cicatriz.
Eu fui mais forte, acabei superando.
Não odeio essa fase, afinal cresci.

De repente abri os olhos e percebi
Que um dia a vida acaba independentemente
Dos planos, dos cuidados especiais.
O tempo passa, a pele enruga
E o que foi já não é e nem voltará a ser.
A brisa me traz fotos cerebrais
Que eu tirei dos bons e maus momentos que vivi.
Complicada matemática que resultou em mim.
A vida me ensinou que é tão simples ser feliz.
Basta aceitar que ela é como é
E que às vezes batemos o nosso nariz.

Eu chorei,
Lembro o quanto foi foda me erguer.
Mas eu fui mais forte, acabei superando.
O meu corte virou cicatriz.
Eu fui mais forte, acabei superando.
Não odeio essa fase pois,
Pude ver e perceber que sou
Muito maior se necessitar de ser
As lágrimas se secaram,
Correntes não me prendem mais
O sufoco é fugaz...
Cresci