
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Kate (3)

sexta-feira, 9 de julho de 2010
Kate (2)

Kate girou nos calcanhares para olhá-lo, sobressaltada. O desconhecido era muito alto, parado ali, na obscuridade do crepúsculo.- Ela ergueu a lanterna para ver-lhe o rosto. O homem devia estar por volta dos trinta e cinco anos e embora não fosse tão lindo quanto Kevin Costner, seu astro de cinema favorito, possuía aparência sem dúvida impressionante. Claro, com aquele cabelo escuro, caindo em caracóis ao redor da cabeça, não tinha a mínima semelhança com o loiro Costner, mas mesmo assim Kate admitiu que poucas vezes vira um rosto masculino mais bonito. Os olhos castanhos eram grandes, o nariz curto e reto, e a boca cheia, sensual, ensaiava um sorriso.
Kate baixou a lanterna lentamente, examinando-o. Era musculoso. A calça cinzenta apertava-se nas pernas grossas e a blusa branca, meio aberta, revelava o peito largo. Vestia-se com simplicidade. Contudo tinha uma inegável que uma aura de prosperidade, poder e autoconfiança o cercava.
Por que não parou, quando me viu? — ela perguntou bruscamente, entre aliviada e tensa.
Foi apenas uma retirada estratégica — ele respondeu em tom divertido. -- Achei melhor abrigar o carro ao lado
De um rochedo que ofereceria alguma proteção, no caso de
outro abalo. Essas coisas são totalmente imprevisíveis. Quando
Parece que tudo acabou, a terra torna a tremer. Kate arrepiou-se, só de pensar.
Eu sei — concordou com voz trêmula.
Esta com frio e assustada — ele adivinhou. - Vamos pegar suas coisas. Se tivermos sorte, chegaremos à vila mais próxima Se não tivermos, e tudo balançar de novo, meu carro oferecera um abrigo mais confortável que o seu.
Nada poderia ser mais verdadeiro, Kate constatou admirada,
Quando chegaram ao ponto onde ele deixara o carro sob um saliente rochedo. O homem abriu a porta do passageiro, revelando um interior tão luxuoso que ela ficou
muda, olhando. Os bancos eram de couro legítimo marrom e um celular fora largado no de trás, juntamente com uma pasta escura de cantoneiras e fecho dourados e uma mala de viagem. Kate ficou encabulada quando ele juntou sua mochila surrada e a velha bolsa das câmeras aos seus elegantes pertences
Agora, entre - ele convidou, parecendo alegre. – Pode por lanterna no porta-luvas. Antes de partimos cuidarei desse corte que tem na testa.
-Corte?
- Na linha do cabelo. Não percebeu?
- Não - ela respondeu totalmente incapaz de dizer mais que
monossílabas.
Os dedos longos eram firmes e delicados quando ele começou o curativo. Tirara uma maleta de primeiros-socorros de algum lugar e Kate recuou ao sentir a dor do anti-séptico.
-Só vai doer um pouquinho — ele garantiu, limpando o
ferimento.
Depois, aplicou um pouco de pomada no corte desinfetado e protegeu-o com um curativo adesivo.
Kate acomodou-se no assento com um suspiro satisfeito. Era bom sentir-se protegida, deixar que alguém cuidasse dela. O desconhecido possuía calma admirável e transmitia impressão de grande competência. Ela- nem ficou surpresa, quando ele estendeu o braço para o banco de trás e fez aparecer uma elegante garrafa térmica branca. Com movimentos precisos, encheu uma xícara com café e entregou-a a Kate. Ela experimentou o líquido
-Obrigada — ela agradeceu. -- O senhor é realmente
uma pessoa surpreendente, sr....
-Philip Andronikos. A senhorita é...
- Katherine Walsh. Mas todos me chamam de Kate.
- Kate? — Ele pareceu experimentar a palavra, fazendo uma careta de desagrado.-Um apelido muito feio para uma
jovem tão linda. Vou chamá-la de Katarina.
Kate passou a mão pela massa de cabelo castanho avermelhado, todo despenteado, e riu baixinho.
para ler o começo clique na marcação "kate♥"
continuaa....
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Kate(1)

- Droga! — Kate exclamou. — Vou precisar armar a barraca e acampar aqui! Por que essas coisas sempre acontecem
comigo?
desalmado! — exclamou furiosa.
- Quanta maldade! — alguém comentou atrás dela.
falara em inglês.
sábado, 26 de junho de 2010
Voltando a origem
quinta-feira, 24 de junho de 2010
51 maneiras de irritar pais

1. Diga “muu” quando te chamarem.
2. Finja que tem amnésia.
-Muito feio, Teddy, vai ficar de castigo!
Daí você pega um sapato joga ele no chão, e espanque-o e grite como louco
sempre falando: PORQUE VOCÊ FEZ ISSO? AGORA VOCÊ VAI APRENDER!
Depois desse show, olha pra sua mãe, mudando subitamente a expressão;
-Oi mãe, você vem sempre aqui?
Provavelmente ele vai perguntar:
-Minha filha (Meu filho) o que é isso?
Ai você diz:
-Aprendi com meu cachorro. Caso não tenha um cachorro ele vai perguntar que cachorro, e então você diz que você sempre teve um cachorro e que ele é louco.
- Pai pergunta o que eu sou?
- O que você é filha(o)?
- Eu sou um helicóptero (daí você começa a girar a cabeça como uma louca(o)).
Notas de um observador

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega se de "mais tralos'.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, "infértebrados".
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.
domingo, 20 de junho de 2010
Xanel 5

Atrevida passou a ter vida
Olhando pra mim.
Assistindo a todos os meus segredos,minhas parcerias, dúvidas, medos,
Minha tv não obedece.
Não quer mais passar novela, sonha um dia em ser janela e não quer mais ficar no ar.
Não quer papo com a antena nem saber se vale a pena ver de novo tudo que já vi.
Vi.
A minha TV não se esquece nem do preço nem da prece que faço pra mesma funcionar.
Me disse que se rende a internet em suma não se submete a nada pra me informar.
Não quis mais saber de festa não pensou em ser honesta funcionando quando precisei.
A notícia que esperava consegui na madrugada num site, flick, blog, fotolog que acessei.
A minha TV tá louca, me mandou calar a boca e não tirar a bunda do sofá.
Mas eu sou facinho de marré-de-sí, se a maré subir eu vou me levantar.
Não quero saber se é a cabo nem se minha assinatura vai mudar tudo que aprendi,
triste o fim do seriado, um bocado magoado sem saber o que será de mim.
Ela não SAP quem eu sou,
Ela não fala a minha língua.
Não.
"Pô tô cansado de toda essa merda que eles mostram na televisão todo dia mano, não aguento mais, é foda!"
Enquanto pessoas perguntam por que, outras pessoas perguntam por que não?
Até porque não acredito no que é dito, no que é visto.
Acesso é poder e o poder é a informação.
Qualquer palavra satisfaz.
A garota, o rapaz e a paz quem traz, tanto faz.
O valor é temporário, o amor imaginário e a festa é um perjúrio.
Um minuto de silêncio é um minuto reservado de murmúrio, de anestesia.
O sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia, com a narrativa.
A vida ingrata de quem acha que é notícia, de quem acha que é momento, na tua tela querem ensinar a fazer comida uma nação que não tem ovo na panela que não tem gesto, quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto.
Num passado remoto perdi meu controle...
Era vida em preto e branco, quase nunca colorida reprisando coisas que não fiz, finalmente se acabando feito longa, feito curta que termina com final feliz..
Ela não SAP quem eu sou, Ela não fala a minha língua.
Eu não sei se pay-per-view ou se quem viu tudo fui eu.
A minha tv tá louca.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Cresci
Rancore
Eu vivia em uma redoma.
Desconhecia a parte ruim.
Não sabia o que era tristeza,
Até que chegou a hora de meu grande companheiro dar adeus.
Meu querido avô carlos, foi descansar num lugar perto de deus.
Então uma tempestade se fez e alagou com todo meu jardim.
Eu chorei e chorei.
Lembro o quanto foi foda me erguer novamente.
Mas eu fui mais forte, acabei superando.
O meu corte virou cicatriz.
Eu fui mais forte, acabei superando.
Não odeio essa fase, afinal cresci.
De repente abri os olhos e percebi
Que um dia a vida acaba independentemente
Dos planos, dos cuidados especiais.
O tempo passa, a pele enruga
E o que foi já não é e nem voltará a ser.
A brisa me traz fotos cerebrais
Que eu tirei dos bons e maus momentos que vivi.
Complicada matemática que resultou em mim.
A vida me ensinou que é tão simples ser feliz.
Basta aceitar que ela é como é
E que às vezes batemos o nosso nariz.
Eu chorei,
Lembro o quanto foi foda me erguer.
Mas eu fui mais forte, acabei superando.
O meu corte virou cicatriz.
Eu fui mais forte, acabei superando.
Não odeio essa fase pois,
Pude ver e perceber que sou
Muito maior se necessitar de ser
As lágrimas se secaram,
Correntes não me prendem mais
O sufoco é fugaz...
Cresci
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Um amor para toda vida
Ele vestia um paletó preto com uma gravata vermelha, estava elegante, andava de um lado para o outro e não desgrudava um só minuto os olhos do relógio de pulso que o acompanhava todo o tempo.
Eu trabalhava naquele instante, sem nem ao menos imaginar que ele já estava a minha espera, mas estava tão ansiosa quanto Sthefen, contando cada segundo até a hora de acabar meu expediente.
Uma mulher entrou na loja, começou a olhar as roupas, em seguida entregou-me o que iria comprar e eu fiz sua nota fiscal, ela partiu.
Faltavam dez minutos para que Sthefen saísse de seu trabalho, isso se ele não fosse apressado e estivesse a minha esperava no saguão do shopping. Encostei-me no balcão e der repente senti um aperto em meu coração, tão forte a ponto de fazer-me inclinar o corpo. Coloquei a mão sob meu peito e a dor parecia não querer acabar mais nunca, olhei para o relógio e nele marcava exatamente 18:00min.
Fez-se um silêncio em todo o shopping e em frações de segundos todo esse silêncio tornou-se uma tremenda gritaria, uma correria de pessoas de um lado para o outro, mães querendo proteger seus filhos, sacolas sendo deixadas para trás, por fim, um disparo que fez eco em todo andar. Fiquei sem em tender ao certo o que de fato acontecia.
-Ele está ferido –Escutei sem ao menos saber se a voz era de um homem ou mulher.
-Meu Deus, chame uma ambulância, esse moço precisa de ajuda. –Mais uma vez escutei alguém, uma voz que vinha de longe, quase sem ter como entender.
Não agüentando mais ficar parada sem fazer nada, sai correndo pelo corredor do shopping e cheguei até o saguão, ali estava Sthefen, baleado no peito, jogado no chão.
Quando olhei para ele, quase não pude acreditar, eu entrei em desespero, comecei a empurrar as pessoas que rodeavam o local, joguei-me junto a ele, fiquei ajoelhada ao lado de seu corpo, seu peito sangrava e uma roda de sangue formava-se pelo chão ao meu redor, mal consegui reagir diante aquela situação, vendo Sthefen inconsciente, deitei sob ele, o abracei como se o meu calor o fizesse acordar. Foi em vão.
Senti mãos puxando-me pelas costas, arrastando-me para longe dele, eram enfermeiros que chegavam com uma ambulância, prontos para levá-lo para um hospital próximo. Colocaram Sthefen em uma maca, onde o empurraram até o estacionamento, eu corria atrás deles, seguindo-os, queria ficar por perto, saber de tudo. Fui na ambulância ao lado dele, segurei suas mãos o tempo todo, até chegar ao Pronto Socorro.
Fiquei horas do lado de fora com minha roupa ensangüentada por ele, desesperada, com as mãos na cabeça e olhando para o chão, sentada no sofá de uma sala de espera, o que mais me parecia o dia do meu juízo final. Enjoada de tomar café, cansada de esperar. Ele teria entrado em uma sala cirúrgica sem eu ao menos saber se voltaria, era quase impossível manter-me sem chorar, mas minha vontade mesmo era de gritar, implorar para que ele sobrevivesse e pedir para que não me deixasse. Como eu queria abraçá-lo, estar ao lado dele nesse momento. Eu queria poder salva-lo apenas com o toque das minhas mãos e nessa hora eu era apenas ninguém.
Uma médica chegou 5 horas depois da nossa chegada ao hospital, viera dar-me notícias, falar sobre o estado do Sthefen, sua fisionomia não era das melhores, o que me deixou ainda mais apavorada. Olhou nos meus olhos e quase sem saber como falar sobre o assunto, sussurrou muito calma:
-Sthefen esta em coma, por um dia, um mês, anos ou pela vida toda.
Sem querer acreditar cai no chão em um grito que assustou as pessoas, não conseguia imaginar minha vida com o Sthefen praticamente morto.
-Levante mocinha, não pode ficar ai, você vai acabar passando mal, não quer isso, quer? –Disse a médica em um tom de voz doce.
-Eu quero muito mais do que isso, quero morrer, minha vida está acabada. –Gritava
feito uma louca.
-Vamos, levante já daí. Diga-me qual o seu nome?
-Luiza, meu nome é Luiza. –Eu levantei do chão enquanto limpava meu rosto.
-Você precisa tirar essa roupa querida, vai para casa, tenta descansar um pouco talvez. – Ela tentava acalmar-me, o que parecia impossível de conseguir.
-Alô, mãe? –Foi à única frase que consegui dizer.
-Sim minha filha, sou eu, o que houve? Aconteceu alguma coisa? Que voz é essa Luiza? –Ela fazia diversas perguntas de uma só vez, deixando-me ainda mais confusa, demonstrava estar preocupada.
-Mãe, é o Sthefen, mãe, vem pra cá, estou no hospital, ele vai morrer. –Eu chorava, falava coisas sem sentido.
-Luiza, o que tem o Sthefen filha? Por que ele vai morrer?
-Ele foi baleado mãe, eu preciso da senhora aqui, estou no Pronto Socorro da cidade mesmo, vem ficar comigo mãe, não demora, estou com medo.
-Tudo vai ficar bem queria, estou indo até ai, fica calma. –Mesmo querendo me acalmar sua voz não negava que estava tão nervosa quanto eu.
-Traga roupas, estou completamente suja. –A ligação caiu e não consegui retornar.
Passou cerca de uma hora, era madrugada e minha mãe chegou. Levou um susto quando me olhou e percebeu que minha roupa estava ensangüentada.
-Luiza minha filha –Parou na minha frente e abraço-me tão forte que mais uma vez não contive as lágrimas.
-Mãe, ele está em coma e isso pode durar para sempre, eu o perdi mãe, o perdi.
Ficamos algum tempo sentadas naquele sofá gelado da sala de espera, expliquei como tudo havia acontecido e fui ao próprio banheiro do hospital trocar de roupa, deixar de lado o casaco ensangüentado.
-Mãe, pode ir agora se quiser, vou ficar aqui, preciso vê-lo. –Falei um pouco mais calma do que nas outras vezes.
Então nós duas levantamos do sofá, ela me abraçou e a deixei voltar para casa. A mesma médica que havia falado comigo antes, estava passando pela sala, fui até ela correndo e a puxei pelo jaleco.
-Doutora, por favor, fale como o Sthefen está eu preciso de notícias, estou morrendo aos poucos aqui.
-Luiza, sinto-lhe dizer, Sthefen está do mesmo jeito que foi para o quarto, respirando pelos aparelhos e ainda em coma.
-É só isso que tem para dizer? –Perguntei aflita.
-Sim, diga-se de passagem, que é somente isso que tenho para lhe dizer.
-Posso entrar no quarto para tocá-lo? Olhar para ele, eu posso doutora?
-Ainda é muito cedo para você entrar no quarto, ele está em observação, espera até
o amanhecer. –Falou e logo saiu para atender aos seus outros pacientes.
Mais uma vez sozinha, esperando por respostas. Sem poder fazer alguma coisa, bebi mais um gole de café, depois sentei com as pernas encurvadas no sofá, fazendo uma volta com meus braços sob elas, baixei a cabeça e meus cabelos ficaram soltos para baixo, tentei dormir e obviamente não foi possível, não consegui pregar meus olhos um só instante, pensei no Sthefen todo o tempo, todas as horas, minutos e segundos.
Finalmente amanheceu, teria sido a noite mais longa de toda a minha vida, a mais triste também, nunca havia me sentido tão impotente, incapaz de ajudar em qualquer coisa para vê-lo abrir os olhos mais uma vez.
Uma enfermeira colocou a mão na minha cabeça e então levantei o rosto lentamente, minhas olheiras profundas falavam por si só, minha boca estava seca e meus olhos quase fechando sozinhos.
-Não tenho fome, só quero ver o Sthefen, por favor, deixe-me entrar no quarto.
-Tubo bem, você vai vê-lo, tente ser forte Luiza. –Ela sorrio, tentando deixar-me confortada.
Entramos para a unidade de emergência do hospital, tantas pessoas morrendo pelos corredores, outras que já chegavam mortas, alguns feridos. Senti meu estomago embrulhar, um enjoou forte que fez por um momento apagar minhas vistas, mas logo passou, deveria ter sido só um mal estar passageiro.
Continuamos andando e então entramos no elevador, que nos levou até a unidade semi intensiva, onde estava Sthefen. Coloquei roupas adequadas para entrar no quarto, luvas, touca, uma roupa especial e também cobri meus sapatos, entregaram-me uma mascara, todo cuidado era pouco. Entrei no quarto, pensei que ali mesmo fosse ficar morta ao lado dele, por que para mim ele estava praticamente morto.
-Você tem 15 minutos Luiza – Falou a enfermeira.
-Tudo bem. –Respondi abaixando a cabeça em seguida.
Fiquei olhando para ele durante metade do pouco tempo que tinha para estar ao seu lado. Pensei em como seria dali para frente, os meus dias, a vida dele, fiquei pensando se ele sobreviveria, como seria se partisse. Chorei pelo restante do tempo e logo precisei sair.
Tirei a touca, luvas, roupa, decidi ir para casa, tomar um banho, avisar a gerente da loja sobre o que tinha acontecido, organizar meu tempo, avisar aos amigos e o restante da minha família do estado de Sthefen. Toda responsabilidade estava em minhas mãos.
Acordei sonhando com Sthefen, levei um susto e levantei em um só pulo, já estava escuro lá fora, vi pela janela. Desesperada, escovei os dentes, peguei minha bolsa e fui saindo de casa novamente, voltaria para hospital e passaria a noite mesmo que do lado de fora do quarto onde estava Sthefen, mal jantei, a essa altura não sentia mais fome, bebi apenas um copo de água.
-Tchau mãe, eu volto amanhã, preciso estar por perto, ele pode precisar de mim. –Dei um beijo em seu rosto, ela estava deitada no sofá.
-Tchau Luiza, fica bem. –Seu olhar era triste.
Fui para o hospital, e ali passei mais uma noite, deitada no sofá, coberta com meu casaco, a noite era fria, o hospital vazio, o máximo que passava por ali eram enfermeiras e médicos que corriam de um lado para o outro.
Passaram-se semanas, Sthefen se encontrava no mesmo estado, em coma, minhas esperanças estavam vivas dentro de mim, não as perdia por nada, mesmo que os médicos dissessem ser um caso que só seria resolvido por um milagre, eu acreditava que ele ficaria bem, eu ainda tinha fé que nosso casamento aconteceria mais cedo ou mais tarde. Dentro do meu coração eu tinha a certeza de que Sthefen sorriria para mim mais uma vez, ele abriria os olhos hoje ou amanhã, falaria que me amava e seriamos muito felizes. Eu tinha certeza que ele ficaria bem, tinha absoluta certeza.
Eu sempre conversava com Sthefen, mesmo ele estando ali deitado naquela cama.
Quando uma pessoa entram em estado de coma, elas são capaz de ouvir, sentir, até mesmo responder com sinais, elas só não conseguem reagir e voltar ao seu estado normal. Sentia que ele entendia de alguma forma o que eu falava, às vezes mexia os dedos dos pés, ou das mãos, o que me deixava ainda mais agoniada, perdi as contas de quantas vezes chamei a enfermeira dizendo que ele estava acordando.
-Sthefen, eu te amo tanto, minha vida não tem sentido sem você aqui comigo, tudo parou meu amor, desde o dia em que tudo isso aconteceu. Olha, vai ficar tudo bem eu prometo, o nosso amor é maior do que isso tudo, o meu amor por você vai salva-lo, você vai ver só. Agüenta firme, você sempre foi tão forte. – Eu sorri, ao mesmo tempo sussurrava bem perto dele. – Você vai ficar muito bem. –Sai rapidamente da sala, não queria demonstrar a minha tristeza, nem queria que escutasse meu choro, caso ele fosse mesmo capaz de sentir a minha presença ao seu lado.
Fui para o lado de fora do hospital, sentei em uma escada que tinha ali mesmo, acendi meu cigarro, enquanto fumava pensava nele é claro. Era a única pessoa que ocupava meus pensamentos vinte e quatro horas por dias. Com um dos braços cruzados, soltando a fumaça para o alto, todos os nossos momentos juntos passavam correndo em minha mente e como em um filme eu apertava pausa nos mais importantes.
-Mãe, eu não quero mãe, eu não posso, faz um mês que o Sthefen está do mesmo jeito que chegou no dia em que foi baleado, como posso ter uma criança agora mãe? –Eu chorava feito um bebê.
-Luiza, você precisa começar a se cuidar, agora tem que pensar em você e nesse neném que está a caminho querida, não pode deixar suas forças acabarem.
-Eu não consigo mãe, eu não sou tão forte assim, eu estou exausta, cansada de tudo isso mãe, a gente não merecia passar por tudo que estamos passando, não merecíamos.
-Querida, não há o que fazer, você vai ter esse filho, por que ele é fruto de seu amor com Sthefen, mesmo que nesse momento ele não esteja aqui para te apoiar. Ele estaria feliz agora, pense nisso. –Ela saiu para a varanda após terminar de falar.
Essa noite passei em meu quarto, trancada pensando em como seria ter um filho. Com as mãos deslizando em minha barriga eu consegui me animar pensando em tudo que minha mãe havia dito. Logo que amanheceu fui para o hospital, eu precisava contar para o Sthefen isso tudo que estava acontecendo, ele tinha que saber que seria pai em breve.
Cheguei no hospital e fui direto para o quarto, entrei e fiquei em pé, ao lado dele.Peguei uma de suas mãos, que não estava com soro, coloquei em cima da minha barriga e muito emocionada abri minha boca para contar essa novidade tão repentina.
-Sthefen, esse aqui é o nosso filho, o fruto do nosso amor, querido, pode sentir? –Eu sorria e falava ao mesmo tempo, como se ele estivesse acordado. - O nome será Sthefen se for um menino, igual você meu amor. Você colocou dentro do meu ventre uma felicidade eterna, em meio a tanta tristeza eu pude sorrir mais uma vez. Eu te amo Sthefen.
Uma noite estava em minha casa com minha mãe vendo o jornal, um dos médicos ligou-me pedindo para ir rapidamente até o hospital, disse que Sthefen teria dado uma melhorada. Rapidamente coloquei outra roupa, peguei minha bolsa e voltei para o hospital, chegando lá, o médico que fazia o seu acompanhamento disse que ele teria acordado. Não consigo descrever o tamanho da minha felicidade, não existe presente maior do que Sthefen vivo e o nosso filho que estava para nascer.
Entrei no quarto, e ele estava com os olhos abertos, olhavam para mim como se quisesse dizer alguma coisa, ai então segurei sua mão, ele sorrio de lado e fazendo muita força, disse devagar:
-Eu te amo Luiza, além da vida.
Meu coração acelerou, minha garganta formou um nó, uma chama de esperança queria a todo custo acender por completo, virar uma brasa de fogo, voltar a surgir em meu peito.
-Te tenho com a certeza de que você pode ir, te amo com a certeza de que irá voltar,pra gente ser feliz, você surgiu e juntos conseguimos ir mais longe, você dividiu comigo a sua história e me ajudou a construir a minha, hoje mais do que nunca, somos dois-Cantei para ele e sorri com lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
Igual a uma criança, Sthefen fechou os olhos e dormiu para sempre.
-Sthefen meu amor, não me deixe, você não pode ir, temos o nosso filho para criar, não me deixe – Gritava ao falar, aos prantos, sem crer na situação.
-Luiza, não temos mais o que fazer, geralmente é assim, os pacientes tem uma melhora e partem, você precisa ser forte.
-Cansei de ser forte, não agüento mais. –Eu chorava e ao mesmo tempo secava o rosto com a manga do meu casaco.
Não aceitando sua morte, indignada com os motivos de estar ali sem vida, segurei-o pela roupa do hospital e chacoalhei o mais forte que pude, tinha a intenção de fazê-lo voltar, tudo tão errôneo de minha parte. Completamente sem sentido algum tudo o que estava fazendo, ele jamais voltaria a ser o meu Sthefen repleto de planos e vida para dar e vender.
A noite passou, toda parte burocrática para seu velório e enterro foi vista pela minha mãe, eu estava tão morta quando Sthefen, meus olhos falavam que em meu corpo não havia mais vida, apenas em meu ventre crescia uma criança que eu ao menos consegui dar atenção enquanto um feto.
Passei toda manhã em seu velório, agarrada ao caixão, disposta a não deixá-lo ir embora, quase uma louca, sem noção das minhas atitudes, sem medir palavras a ser dita, alguém sozinha desde o disparo de uma bala perdida que encontrou o meu futuro marido, por acaso ou não, por algumas horas de antecedência ou não, talvez um destino cruel e nada além disso.
Como eu temia, chegou à hora de uma despedida final, a primeira e a ultima de nós dois. Segui junto a outras pessoas o caixão, levado por homens fortes e vestidos de preto, subiam toda rua do cemitério.
Desceram o caixão aos poucos e joguei uma rosa branca para que levasse com ele, todo cemitério cheirava flores, um perfume que exalava por todos os lados. O céu estava azul e o sol era muito forte nesse dia, alguns urubus voavam sob nossas cabeças e fazia um barulho das árvores que balançavam com o vento de um lado para o outro em total sintonia. As pessoas me abraçavam, como se isso me consolasse. Pediam para eu ser forte, mas começando sem entender o porquê dessa crueldade com Sthefen já perdia todas as minhas forças.
Olhei para o céu e disse:
-A Sthefen, você levou embora uma parte de mim no momento em que foi sepultado, a outra parte morrera a cada dia sem sua presença aqui. Eu te amo, amo muito. –Fui saindo devagar do cemitério, ao lado da minha querida mãe.
Ao entrar no carro, comecei a sentir dores horríveis em meu ventre, cheguei a sentar no chão e sem conseguir levantar passei as mãos em minhas coxas.
-Me ajuda mãe, chama alguém, estou sangrando. – Eu gritava, agora com medo de perder a única parte importante que sobrará em minha vida.
-Calma filha, vou te colocar no carro e você vai ficar bem, sua bolsa estourou, provavelmente o neném esta querendo nascer um pouco antes da hora. –Sua voz era suave, como uma canção de ninar.
Passei a delirar, todo o cansaço, descuido com a gravidez, preocupação, nervosismo e má alimentação estava fazendo efeito naquela tarde, logo após o enterro de Sthefen.
Minha mãe levou-me imediatamente até o hospital, quando acordei já estava em trabalho de parto, fizeram uma cesárea urgente, escutei o médico conversar com os enfermeiros.
-Ele é lindo – Disse uma mulher que ali estava presente, provável que seja uma enfermeira também.
-Me deixemeu dar um beijo nele, por favor -Eu quase implorei para os médicos.
Colocaram-no do meu lado, tão pequeno e indefeso, me fez sorrir e chorar ao mesmo tempo, quanto sofrimento e quanta felicidade, não pode descrever o que senti ao ver meu filho Sthefen, tão dependente de mim.
Ficamos algum tempo no hospital, o pequeno Sthefen precisava ganhar peso, tomar alguns medicamentos, nasceu tão pequeno em comparação as outras crianças. Eu o observava aquela coisinha tão frágil por horas, sem cansar-me, todos os momentos eu passei ao lado dele, acompanhando seu crescimento, seus primeiros dias de vida.
Sempre tentei ser o melhor para o meu pequeno príncipe, uma mãe tão boa quanto a minha, mas minha dor ainda era imensa. Às vezes ia dormir com a impressão de que não fosse mais levantar, em sonhos Sthefen vinha para me buscar, tinha a sensação de que estava ficando louca, escutava vozes, escutava a voz dele. Sentia seu calor, arrepiava-me como se fosse um sinal que indicava sua presença, todas as noites era a mesma coisa, o cheiro do perfume que usava se espalhava quando todos estavam em silêncio como se somente eu pudesse sentir, começava no meu quarto e ia até a sala.
Nas vozes que eu escutava, ele sempre dizia quase a mesma coisa.
-Cuida bem do nosso pequeno Sthefen, ele nos ligara para sempre, onde quer que nós estejamos. Eu te amo Luiza
Nosso amor vai além da vida, eu sei.