quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Meu mundo


Ele: Amor você confia em mim ?

Ela: Claro que confio amor, você sabe disso!

Ele: Então você não tem ciumes de mim, porque se você confia em mim sabe que não vou fazer nada de errado...

Ela: eu sei amor...

Passou o tempo, na vida do casal tudo ia bem, até que ela vê seu namorado abraçado com uma amiga deles, pareciam um casal de namorados, ela não sabia o que fazer,embora saber que eram apenas amigos , ficou nervosa, saiu correndo aos prantos

Ele: Para! me espera, o que aconteceu ?

Ela: Nada!

Ele: Fala a verdade eu te conheço, sei que tem alguma coisa.

Ela: Ta bom! è que vi você abraçando..

Ele: Amor para! sei o que vai falar, você sabe que nunca faria isso com você, ela é só minha amiga!

Ela: Eu sei mais é que..

Ele: Mais o que? Você não acredita em mim, você ta completamente desconfiada olha como você tá! Morrendo de ciumes.

Ela: Não é isso, eu confio em você

Ele: Não mente pra mim..se não é isso é oque ?

Ela: É porque quando alguém te abraça, esta abraçando o meu mundo. Quando alguém te beija, diz que te ama, diz coisas amorosas pra você está fazendo isso com o meu mundo. E esse mundo é só meu não quero dividir com mais ninguém!


# Por: Lolita
#Lembrando que esse blog tem por direito mais uma nova autora
Eu Militar e Lolita

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011



Oi eu sou Brittany, tenho 15 anos. Gosto de praia, as pessoas pensam que eu sou perfeita.
Eu não sou. Você tem uma mãe? Tenho certeza que tem. Eu tenho também. Ela sabe seu nome do meio? Ou seu aniversário? Ela consegue soletrar/ler seu nome? Ela consegue ouvir? A minha não consegue. Minha mãe é diferente..
Ela tem ALZHAIMER . Você sabe o que é isso?
Uma doença. Ela esquece tudo. Isso não tem cura.
Fico triste em seu redor Ela esquece como comer, como escrever, quem ela casou, tudo..
Até eu. Ela esquece coisas..Mas eu a ajudo.
Eu choro a noite. E na manhã. Até na escola, eu choro por ela. Eu amo minha mãe ♥
E no dia que ela me pergunta “Quem é você?” Eu apenas sorrio e a abraço. Porque ela é minha mãe. E eu sou sua filha.


Mesmo que você esqueça, eu te amo mãe.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


Gostaria de uma Garota que,
Me acordasse todos os dias com mensagens de "bom dia te amo" no celular;
Que quando acordasse surpresa com café na cama, me beijasse não se importando com meu alito de pós amanhecer;
Que ficasse com medo quando eu pegasse-a no colo;
Que mesmo com minha aparência gélida, e arrogante, me dissesse que eu era o homem mais lindo do mundo;
Que nos momentos de briga, deslizasse sua mão das minhas costeletas ate meu queixo,dizendo que me ama , desprezando minha ignorância.
Depois de meu arroto, rindo ela me chamaria de porco e me daria um tapa fraco no braço
eu gostaria que o tempo parasse quando nós nos falamos
que aparecesse em pleno dia no céu um milhar de estrelas
E eu gostaria me esconder, debaixo das tuas palpebras
Para que você possa me ver, quando você faz tuas preces.


Ou queira alguém que me ame,por,simplesmente amar


#Por mim MILITAR
#MILITAR esta: lacrimejando

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ela é minha sina
O meu cinema
A tela da minha cena
A cerca do meu quintal
Minha meta, minha metade
Minha seta, minha saudade
Minha diva, meu divã
Minha manha, meu amanhã
Meu fá, minha fã
A massa e a maçã
Minha diva, meu divã
Minha manha, meu amanhã
Meu lá, minha lã
Minha paga, minha pagã
Meu velar, meu avelã
Amor em Roma, aroma de romã
O sal e o são
O que é certo, o que é sertão
Meu Tao, e meu tão...
Nau de Nassau, minha nação.


Lenine

domingo, 12 de dezembro de 2010

Mafia (1)




Meu nome é Philip Romano nasci em sicilia em 1925,ao lado de meus pais e minha irma franceska a frente de nossa velha casa eu nao lembro muito daquela cidadesinha só lembro que agente ralava bastante ate que um dia meu pai disse que era melhor agente se mudar holywood, talvez nova york,longe da sicilia atraves do oceano iria iniciar uma nova vida na america nunca vi uma cidade como empary day ,mas tambem era o lugar mas podre e nojento como as pessoas que moravam naquele local."o sonho americano",parecia mais um pesadelo,meu pai Foi trampa para os homens que selecionavam os imigrantes,já eu tive que aprender ingles,logo com joe entrei no mundo do crime,nos tornamos melhores amigos ,ambos eramos pobres,nao existiam muitos lugares para trabalhar, então arrumavamos o nosso proprio trabalho,mas com o tempo a policia me pegou, e como o pais estava em guerra com os alemães,italianos e japoneses, alistaram-me em troca da pena em uma prisão.

essa foi a minha pior escolha, mas fazer o que a vida é feita de escolhas.

Eu fazia parte do 16 batalhão da aeronautica eramos na maioria paraquedistas

nossa missao como sempre era dominar o territorio até a chegada do reforço, como eu sou italiano de nascença,ja conhecia os esquemas pela região,era sexta feira o dia que a venda era posta á frente do predio do govenno, nos posicionamos á tras das bancadas de melancias, dois de nossos comparças disfarçados,cortaram os pescoços de dois dos guardas da porta.

depois que entramos logo nos detectaram,e então abriram fogo mas como o predio no periodo do meio dia ,horario de almoço, estava vazio esvavamos seguros

eles apenas atiravam pelas janelas, joguei uma granada em uma caixa de bombas aberta, resultado?

os corpos dos putos arderam em chamas.

na sacada do segundo andar alvejavamos alguns dos soldados,que estavam logo abaicxo na praça central.

logo a merda de um tanque chegou com apenas um disparo deixou todos de meu batalhao no chao

em um minuto,soldados estavam no predio e disparam na cabeça de todos do batalhao que estavam no chao,

quando a mira estava em minha cabeça

o reforço chegara,salvando minha vida

chegaram rendendo os homens do predio

voce sabe oque eh ver tosos de seu pelotão morrer e ser o unico sobrevivente, no que foi um verdadeiro massacre.

talvez fique melhor quando voltar para empyre city


continua ...


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Uma coisa pessoal (1)


Procedeu-se quando eu tenha 14 anos, mas sempre existiu,eu não sabia do que se tratava,então pedi a meus pais que me levacem ao medico,mais uma vez,fui diagnosticado como esquisofrenico,um caso especial, chamado esquisofrenia hebefrenica, no começo foi bem dificil,mas com o tempo aprendi como a lidar com a situação,aprendi a importancia dos remedios, do tratamento, ate começei a fazer amigos nas terapias em grupo, coisa que eu nunca tive.Sabe é tão bom saber que não estou sosinho nesse mundo...

É claro que naõ demorou para os problemas aparecerem me afastei da escola, parei de trabalhar e senti a dependencia que cousei á minha familia até que um dia assisti vi no cinema um filme chamado "a mente brilhante" que conta a historia de um matematico esquizofrenico chamado John Nesh ele obteve sucesso e ganhou varios premios , inclusive o premio nobel.Começei a intender, que jamais devemos desistir de nossos sonhos,por que as pessoas que tem grandes sonhos, são mais fortes que as pessoas que possuem todos os fatos,e tanto pra mim, quanto pra ele os fatos costumam vir em um emaranhado de delirios. Eu, continuarei otratamento em busca de fatos, receio encontra-los mas mesmo assim eu tentarei.

(Historia real, Respeite)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010




Ela: Voce me ama ?

Ele: Sim!

Ela: Então grita pro mundo todo ouvir.
Ele: Eu te amo.
Ela: Por que sussurrou no meu ouvido?
Ele: Por que você é meu mundo.



Ele: Ei, saudade de voce

Ela: Eu também, muita mesmo!
Ele: Será?
Ela: Ainda pergunta?
Ele: Uhuum... Ah..
Sabe, eu não queria ser assim... não queria dar tanta mancada com você, sei que as vezes não estou presente no momento em que você mais precisa. Tenho ódio de mim por isso.
Ela: Tudo bem. Mas as vezes quando cobro a sua presença, é porque a saudade aperta e isso machuca muito. Mas tô aprendendo a lidar com isso...
Ele: Não é questão de você cobrar... Eu me sinto mal por não estar presente na sua vida sempre.
Ela: Você não tem que se sentir mal!
Ele: Claro que tenho! Seu aniversário foi mês passado, eu queria ter ido te da um abraço... Mas nem parabéns te dei :/
Ela: Esquece isso já passou. Tem muitos anos pela frente pra você me recompensar.
Ele: Pra mim não passou... Sou muito tonto!
Ela: Para...

Ela: Te desculpar do que?
Ele: Por cada noite que você passou acordada se preocupando comigo, por cada lágrima que fiz você derramar, por cada briga fútil que provoquei, por tudo que te fiz sofrer!
Ela: Se preciso for, vou ficar todos as noites acordada só para depois saber que está bem. Não me importa o quanto eu chore, ou o quanto brigamos... Mesmo com seus defeitos, meu amor por você não diminuiu. Muito pelo contrário, ele aumenta cada dia que passa... me sinto bem pelo simples fato de você existir na minha vida, e mais ainda por você ser o amor da minha vida!

(Silêncio)

Ele: Te amo tanto garota, não quero te perder nunca!
Ela: Isso não vai acontecer, e se acontecer eu vou te achar.


ou pelos menos ela achava isso
hoje ele olha para traz com um aperto no coração e um vasiu no peito
por ter cometido sempre os mesmos erros


Ele: Você está ai?
Ela: Estou, o que aconteceu ?
Ele: Eu preciso de conselhos.
Ela: Claro, nós somos melhores amigos. Diga-me o que está acontecendo.
Ele: Eu estou apaixonado.
Ela: Isto é ótimo, não é?
Ele: Sim, é ótimo tirando o fato de eu não ter coragem alguma para contar pra ela.
Ela: Você ama ela ?
Ele: Com certeza.
Ela: Então tome coragem e conte pra ela.
Ele: Mas como ?
Ela: Pegue seu celular.
Ele: Agora ?
Ela: Sim, antes tarde do que nunca.
Ele: Pronto, peguei.
Ela: Ligue pra ela e diga como você se sente em relação a ela.
Ele: Está bem.
Ele pega o celular e liga pra ela...

Ela: Espere um minuto, já volto. Mas pode me contar enquanto eu não estou aqui como está indo.
O celular dela toca, ela atende...
Ela: Alô ?
Ele: É o jeito como você “cora” quando está nervosa, é como você ri sem piedade. É o jeito que você me faz sentir. É como você me faz rir, quando me faz parar de chorar. Como você me diverte como ninguém; na primeira vez que te vi dormindo eu percebi tudo: eu fui construído para você, e você foi moldada para mim. Eu te amo.
Ela: Quando você disse que estava apaixonado era como se uma faca entrasse bem fundo no meu peito, achei que era outra garota.
Ele: Eu jamais me apaixonaria por alguém que não fosse você.
Ela: Eu te amo.
Ele: Eu sempre te amei


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Beatriz



Chico Buarque de Holanda

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela mora no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que ela é louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela mora no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que ela é louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ontem uma bola de beisebol
Hoje uma granada de mão

A bola preta e branca que ele brincava com toda sua habilidade até chuta-la para o gol, hoje é um capacete verde-oliva , que é chutado,não com a mesma habilidade, nem tão pouco com a mesmo felicidade.

o tiro nas latas em parque de diversoes,eram substituídos por tiros de Ak-47.

Ontem ele se abaixava para brincar de esconde-esconde,hoje ele se abaixa na brincadeira de cumprir uma missão

ontem a bandeira que ele exaltava todas as sextas feiras. com um hino,
hoje fora posta em cima de seu caixão.
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adultos sorriem, crianças riem
adultos evitam chorar em publico, crianças não
adultos abandonam animais, crianças fazem carinho em animais abandonados
adultos matam desconhecidos, crianças chamam desconhecidos de "amigo"
mesmo se eu pudesse voltar no tempo,não mudaria minha infância,
poois foi a unica parte pura de minha vida
mudaria minha adolescência, até mesmo minha velhice,
para poder ser cada dia, o mais infantil possível

segunda-feira, 11 de outubro de 2010


Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, e ainda assim, você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte para mim.

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Eu e você deitados na areia
de rosto colado brisa lua cheia
encontros do mar
romantismo no ar
foi lindo demais eu te encontrar
faz bem ter voce aqui
na minha ilha
curtindo a vida
o melhor de tudo
é gritar pro mundo
só você e eu





domingo, 10 de outubro de 2010

Passeio Noturno parte 1 - Rubem Fonseca


Carro aprende com dono para evitar acidentes

Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas,

Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa de cabeceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, “você está com um ar cansado”. Os sons da casa: minha filha no quarto dela, treinando impostação de voz, a música quadrifônica do quarto do meu filho. “Você não vai largar essa mala?”, perguntou minha mulher, “tira essa roupa, bebe um uisquinho, você precisa aprender a relaxar”.



Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisas sobre a mesa, não via as letras e números, eu esperava apenas. “Você não pára de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa”, entrou a minha mulher na sala com o copo na mão, “já posso mandar servir o jantar?”.



A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescido, eu e a minha mulher estávamos gordos. “É aquele vinho que você gosta”, ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu, nós tínhamos conta bancária conjunta.



“Vamos dar uma volta de carro?”, convidei. Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. “Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu que cada vez me apego menos aos bens materiais”, minha mulher respondeu.



Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem, impedindo que eu tirasse o meu. Tirei os carros dos dois, botei na rua, tirei o meu, coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixaram levemente irritado, mas ao ver os pára-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava a sua força em silêncio, escondido no capô aerodinâmico. Saí, como sempre sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta, nesta cidade que tem muito mais gente do que moscas. Na Avenida Brasil, ali não podia ser, muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras, o lugar ideal. Homem ou mulher? Realmente não fazia grande diferença, mas não aparecia ninguém em condições, comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio era maior. Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mais fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou de quitanda, estava lá de saia e blusa, andava depressa, havia árvores na calçada de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande dose de perícia. Apaguei as luzes do carro e acelerei. Ela só percebeu que eu ia para cima dela quando ouviu o som da borracha dos pneus batendo no meio-fio. Peguei a mulher acima dos joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada rápida para a esquerda, passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando, de volta para o asfalto. Motor bom, o meu, ia de zero a cem quilômetros em nove segundos. Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de sangue, em cima de um muro, desses baixinhos de casa de subúrbio.



Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelos pára-lamas, os pára-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.


família estava vendo televisão. “Deu sua voltinha, agora está mais calmo?”, perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fixamente o vídeo. “Vou dormir, boa noite para todos”, respondi, “amanhã vou ter um dia terrível na companhia”.

sábado, 9 de outubro de 2010

os 3 mal amados- João Cabral de Melo Neto


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.