quinta-feira, 27 de maio de 2010

Um amor para toda vida

Essa história seria diferente se naquela tarde de sexta-feira, mais precisamente dia 14 de janeiro , Sthefen não tivesse saído duas horas mais cedo de seu trabalho para ir ao meu encontro, no shopping onde eu trabalhava como vendedora em uma loja de roupas intimas.Combinamos que ele me encontraria as 19h00min para irmos até o bufê onde seria nosso casamento. Sempre exagerado e nem tão paciente quando o assunto era esperar, Sthefen chegou exatamente 1 hora e meia mais cedo do horário combinado, esperava-me ansioso no saguão.
Ele vestia um paletó preto com uma gravata vermelha, estava elegante, andava de um lado para o outro e não desgrudava um só minuto os olhos do relógio de pulso que o acompanhava todo o tempo.
Eu trabalhava naquele instante, sem nem ao menos imaginar que ele já estava a minha espera, mas estava tão ansiosa quanto Sthefen, contando cada segundo até a hora de acabar meu expediente.
Uma mulher entrou na loja, começou a olhar as roupas, em seguida entregou-me o que iria comprar e eu fiz sua nota fiscal, ela partiu.
Faltavam dez minutos para que Sthefen saísse de seu trabalho, isso se ele não fosse apressado e estivesse a minha esperava no saguão do shopping. Encostei-me no balcão e der repente senti um aperto em meu coração, tão forte a ponto de fazer-me inclinar o corpo. Coloquei a mão sob meu peito e a dor parecia não querer acabar mais nunca, olhei para o relógio e nele marcava exatamente 18:00min.
Fez-se um silêncio em todo o shopping e em frações de segundos todo esse silêncio tornou-se uma tremenda gritaria, uma correria de pessoas de um lado para o outro, mães querendo proteger seus filhos, sacolas sendo deixadas para trás, por fim, um disparo que fez eco em todo andar. Fiquei sem em tender ao certo o que de fato acontecia.
Em seguida escurei algumas vozes que chegavam até a loja, como se viessem de outras dimensões.

-Ele está ferido –Escutei sem ao menos saber se a voz era de um homem ou mulher.

-Meu Deus, chame uma ambulância, esse moço precisa de ajuda. –Mais uma vez escutei alguém, uma voz que vinha de longe, quase sem ter como entender.

Não agüentando mais ficar parada sem fazer nada, sai correndo pelo corredor do shopping e cheguei até o saguão, ali estava Sthefen, baleado no peito, jogado no chão.
Quando olhei para ele, quase não pude acreditar, eu entrei em desespero, comecei a empurrar as pessoas que rodeavam o local, joguei-me junto a ele, fiquei ajoelhada ao lado de seu corpo, seu peito sangrava e uma roda de sangue formava-se pelo chão ao meu redor, mal consegui reagir diante aquela situação, vendo Sthefen inconsciente, deitei sob ele, o abracei como se o meu calor o fizesse acordar. Foi em vão.

Senti mãos puxando-me pelas costas, arrastando-me para longe dele, eram enfermeiros que chegavam com uma ambulância, prontos para levá-lo para um hospital próximo. Colocaram Sthefen em uma maca, onde o empurraram até o estacionamento, eu corria atrás deles, seguindo-os, queria ficar por perto, saber de tudo. Fui na ambulância ao lado dele, segurei suas mãos o tempo todo, até chegar ao Pronto Socorro.

Sthefen foi submetido a uma cirurgia de emergência logo que chegou ao hospital, os médicos tentavam fazer com que ele reagisse ao ferimento, mas isso era quase impossível .

Fiquei horas do lado de fora com minha roupa ensangüentada por ele, desesperada, com as mãos na cabeça e olhando para o chão, sentada no sofá de uma sala de espera, o que mais me parecia o dia do meu juízo final. Enjoada de tomar café, cansada de esperar. Ele teria entrado em uma sala cirúrgica sem eu ao menos saber se voltaria, era quase impossível manter-me sem chorar, mas minha vontade mesmo era de gritar, implorar para que ele sobrevivesse e pedir para que não me deixasse. Como eu queria abraçá-lo, estar ao lado dele nesse momento. Eu queria poder salva-lo apenas com o toque das minhas mãos e nessa hora eu era apenas ninguém.
Uma médica chegou 5 horas depois da nossa chegada ao hospital, viera dar-me notícias, falar sobre o estado do Sthefen, sua fisionomia não era das melhores, o que me deixou ainda mais apavorada. Olhou nos meus olhos e quase sem saber como falar sobre o assunto, sussurrou muito calma:

-Sthefen esta em coma, por um dia, um mês, anos ou pela vida toda.
Sem querer acreditar cai no chão em um grito que assustou as pessoas, não conseguia imaginar minha vida com o Sthefen praticamente morto.

-Levante mocinha, não pode ficar ai, você vai acabar passando mal, não quer isso, quer? –Disse a médica em um tom de voz doce.

-Eu quero muito mais do que isso, quero morrer, minha vida está acabada. –Gritava
feito uma louca.

-Vamos, levante já daí. Diga-me qual o seu nome?

-Luiza, meu nome é Luiza. –Eu levantei do chão enquanto limpava meu rosto.

-Você precisa tirar essa roupa querida, vai para casa, tenta descansar um pouco talvez. – Ela tentava acalmar-me, o que parecia impossível de conseguir.

A médica saiu, havia desistido de tentar me animar, continuei ali sentada, sem saber ao certo o que fazer, tentando pensar positivo, quem sabe isso faria Sthefen acordar e ficar bem novamente.Peguei o celular dentro do bolso do meu casaco, liguei para casa, tentei dar uma explicação pelo meu sumiço repentino a minha mãe, explicar o que havia acontecido com o Sthefen e pedir roupas limpas. Sthefen era órfão de pai e mãe e seus parentes mal se importavam com sua existência, vivia como se minha família fosse mesmo a nossa família. Éramos um só, em tudo.

-Alô, mãe? –Foi à única frase que consegui dizer.

-Sim minha filha, sou eu, o que houve? Aconteceu alguma coisa? Que voz é essa Luiza? –Ela fazia diversas perguntas de uma só vez, deixando-me ainda mais confusa, demonstrava estar preocupada.

-Mãe, é o Sthefen, mãe, vem pra cá, estou no hospital, ele vai morrer. –Eu chorava, falava coisas sem sentido.

-Luiza, o que tem o Sthefen filha? Por que ele vai morrer?

-Ele foi baleado mãe, eu preciso da senhora aqui, estou no Pronto Socorro da cidade mesmo, vem ficar comigo mãe, não demora, estou com medo.

-Tudo vai ficar bem queria, estou indo até ai, fica calma. –Mesmo querendo me acalmar sua voz não negava que estava tão nervosa quanto eu.

-Traga roupas, estou completamente suja. –A ligação caiu e não consegui retornar.
Passou cerca de uma hora, era madrugada e minha mãe chegou. Levou um susto quando me olhou e percebeu que minha roupa estava ensangüentada.

-Luiza minha filha –Parou na minha frente e abraço-me tão forte que mais uma vez não contive as lágrimas.

-Mãe, ele está em coma e isso pode durar para sempre, eu o perdi mãe, o perdi.

Ficamos algum tempo sentadas naquele sofá gelado da sala de espera, expliquei como tudo havia acontecido e fui ao próprio banheiro do hospital trocar de roupa, deixar de lado o casaco ensangüentado.

Minha mãe já era de idade, não podia ficar o tempo todo ali comigo por mais que eu quisesse, sofria de pressão alta e diabetes, passar nervoso a deixava pior e tudo o que eu menos precisava eram mais problemas.

-Mãe, pode ir agora se quiser, vou ficar aqui, preciso vê-lo. –Falei um pouco mais calma do que nas outras vezes.

Então nós duas levantamos do sofá, ela me abraçou e a deixei voltar para casa. A mesma médica que havia falado comigo antes, estava passando pela sala, fui até ela correndo e a puxei pelo jaleco.

-Doutora, por favor, fale como o Sthefen está eu preciso de notícias, estou morrendo aos poucos aqui.

-Luiza, sinto-lhe dizer, Sthefen está do mesmo jeito que foi para o quarto, respirando pelos aparelhos e ainda em coma.

-É só isso que tem para dizer? –Perguntei aflita.

-Sim, diga-se de passagem, que é somente isso que tenho para lhe dizer.

-Posso entrar no quarto para tocá-lo? Olhar para ele, eu posso doutora?

-Ainda é muito cedo para você entrar no quarto, ele está em observação, espera até
o amanhecer. –Falou e logo saiu para atender aos seus outros pacientes.

Mais uma vez sozinha, esperando por respostas. Sem poder fazer alguma coisa, bebi mais um gole de café, depois sentei com as pernas encurvadas no sofá, fazendo uma volta com meus braços sob elas, baixei a cabeça e meus cabelos ficaram soltos para baixo, tentei dormir e obviamente não foi possível, não consegui pregar meus olhos um só instante, pensei no Sthefen todo o tempo, todas as horas, minutos e segundos.

Finalmente amanheceu, teria sido a noite mais longa de toda a minha vida, a mais triste também, nunca havia me sentido tão impotente, incapaz de ajudar em qualquer coisa para vê-lo abrir os olhos mais uma vez.
Uma enfermeira colocou a mão na minha cabeça e então levantei o rosto lentamente, minhas olheiras profundas falavam por si só, minha boca estava seca e meus olhos quase fechando sozinhos.

-Luiza, você esta aqui desde ontem, por que não come alguma coisa? –Ela falou demonstrando sua preocupação a me ver sozinha naquele estado.

-Não tenho fome, só quero ver o Sthefen, por favor, deixe-me entrar no quarto.

-Tubo bem, você vai vê-lo, tente ser forte Luiza. –Ela sorrio, tentando deixar-me confortada.

Entramos para a unidade de emergência do hospital, tantas pessoas morrendo pelos corredores, outras que já chegavam mortas, alguns feridos. Senti meu estomago embrulhar, um enjoou forte que fez por um momento apagar minhas vistas, mas logo passou, deveria ter sido só um mal estar passageiro.
Continuamos andando e então entramos no elevador, que nos levou até a unidade semi intensiva, onde estava Sthefen. Coloquei roupas adequadas para entrar no quarto, luvas, touca, uma roupa especial e também cobri meus sapatos, entregaram-me uma mascara, todo cuidado era pouco. Entrei no quarto, pensei que ali mesmo fosse ficar morta ao lado dele, por que para mim ele estava praticamente morto.

-Você tem 15 minutos Luiza – Falou a enfermeira.

-Tudo bem. –Respondi abaixando a cabeça em seguida.

Fiquei olhando para ele durante metade do pouco tempo que tinha para estar ao seu lado. Pensei em como seria dali para frente, os meus dias, a vida dele, fiquei pensando se ele sobreviveria, como seria se partisse. Chorei pelo restante do tempo e logo precisei sair.

Tirei a touca, luvas, roupa, decidi ir para casa, tomar um banho, avisar a gerente da loja sobre o que tinha acontecido, organizar meu tempo, avisar aos amigos e o restante da minha família do estado de Sthefen. Toda responsabilidade estava em minhas mãos.

Então sai do hospital correndo, peguei um taxi em um ponto que tinha ali próximo e fui para casa. Chegando eu organizei alguns documentos que seria preciso para o Sthefen permanecer no hospital, arrumei minha bolsa, liguei para a loja e expliquei que ficaria afastada por um tempo, avisei amigos e parentes, tomei um banho gelado para manter-me acordada, coloquei uma roupa, arrumei meu cabelo e deitei na cama em meu quarto, ali não consegui ficar sem dormir.
Acordei sonhando com Sthefen, levei um susto e levantei em um só pulo, já estava escuro lá fora, vi pela janela. Desesperada, escovei os dentes, peguei minha bolsa e fui saindo de casa novamente, voltaria para hospital e passaria a noite mesmo que do lado de fora do quarto onde estava Sthefen, mal jantei, a essa altura não sentia mais fome, bebi apenas um copo de água.

-Tchau mãe, eu volto amanhã, preciso estar por perto, ele pode precisar de mim. –Dei um beijo em seu rosto, ela estava deitada no sofá.

-Tchau Luiza, fica bem. –Seu olhar era triste.

Fui para o hospital, e ali passei mais uma noite, deitada no sofá, coberta com meu casaco, a noite era fria, o hospital vazio, o máximo que passava por ali eram enfermeiras e médicos que corriam de um lado para o outro.

Passaram-se semanas, Sthefen se encontrava no mesmo estado, em coma, minhas esperanças estavam vivas dentro de mim, não as perdia por nada, mesmo que os médicos dissessem ser um caso que só seria resolvido por um milagre, eu acreditava que ele ficaria bem, eu ainda tinha fé que nosso casamento aconteceria mais cedo ou mais tarde. Dentro do meu coração eu tinha a certeza de que Sthefen sorriria para mim mais uma vez, ele abriria os olhos hoje ou amanhã, falaria que me amava e seriamos muito felizes. Eu tinha certeza que ele ficaria bem, tinha absoluta certeza.

Sthefen ainda estava vivo por conta dos aparelhos, faziam um barulho irritante, quando eu estava ao seu lado o barulho entrava em meus ouvidos como um som que indicavam a morte, o início do fim, eu só não queria acreditar nessa hipótese, preferia continuar com minhas esperanças até que a vida provasse que elas eram em vão.
Eu sempre conversava com Sthefen, mesmo ele estando ali deitado naquela cama.
Quando uma pessoa entram em estado de coma, elas são capaz de ouvir, sentir, até mesmo responder com sinais, elas só não conseguem reagir e voltar ao seu estado normal. Sentia que ele entendia de alguma forma o que eu falava, às vezes mexia os dedos dos pés, ou das mãos, o que me deixava ainda mais agoniada, perdi as contas de quantas vezes chamei a enfermeira dizendo que ele estava acordando.

-Sthefen, eu te amo tanto, minha vida não tem sentido sem você aqui comigo, tudo parou meu amor, desde o dia em que tudo isso aconteceu. Olha, vai ficar tudo bem eu prometo, o nosso amor é maior do que isso tudo, o meu amor por você vai salva-lo, você vai ver só. Agüenta firme, você sempre foi tão forte. – Eu sorri, ao mesmo tempo sussurrava bem perto dele. – Você vai ficar muito bem. –Sai rapidamente da sala, não queria demonstrar a minha tristeza, nem queria que escutasse meu choro, caso ele fosse mesmo capaz de sentir a minha presença ao seu lado.

Fui para o lado de fora do hospital, sentei em uma escada que tinha ali mesmo, acendi meu cigarro, enquanto fumava pensava nele é claro. Era a única pessoa que ocupava meus pensamentos vinte e quatro horas por dias. Com um dos braços cruzados, soltando a fumaça para o alto, todos os nossos momentos juntos passavam correndo em minha mente e como em um filme eu apertava pausa nos mais importantes.

- Quanta saudade eu tenho de você, às vezes acordo com o gosto de seus beijos em meus lábios, sinto o calor dos seus abraços apertados e consigo arrepiar-me com o toque de suas mãos deslizando em meu corpo, seus carinhos em meu cabelo fazem falta todas as noites quando deito para dormir e percebo que no outro lado da cama você não está presente, logo agora que finalmente iríamos nos casar Sthefen, porquê você fez isso? Por quê? Você jurou nunca me deixar e agora esta aqui em um quarto de hospital. Eu quero olhar em seus olhos mais uma vez, quero dar risada ao seu lado, admirar o seu sorriso Sthefen. – Eu sussurrava baixinho comigo mesma essas palavras, chorava e soluçava em silêncio, o meu cigarro ia se acabando.
O tempo passou, cada dia parecia anos naquele sofá da sala de espera, mas agüentei, agüentei cada momento de tristeza, cada momento de angustia, segurei a barra até o momento em que descobri estar grávida.

-Mãe, eu não quero mãe, eu não posso, faz um mês que o Sthefen está do mesmo jeito que chegou no dia em que foi baleado, como posso ter uma criança agora mãe? –Eu chorava feito um bebê.

-Luiza, você precisa começar a se cuidar, agora tem que pensar em você e nesse neném que está a caminho querida, não pode deixar suas forças acabarem.

-Eu não consigo mãe, eu não sou tão forte assim, eu estou exausta, cansada de tudo isso mãe, a gente não merecia passar por tudo que estamos passando, não merecíamos.

-Querida, não há o que fazer, você vai ter esse filho, por que ele é fruto de seu amor com Sthefen, mesmo que nesse momento ele não esteja aqui para te apoiar. Ele estaria feliz agora, pense nisso. –Ela saiu para a varanda após terminar de falar.

Essa noite passei em meu quarto, trancada pensando em como seria ter um filho. Com as mãos deslizando em minha barriga eu consegui me animar pensando em tudo que minha mãe havia dito. Logo que amanheceu fui para o hospital, eu precisava contar para o Sthefen isso tudo que estava acontecendo, ele tinha que saber que seria pai em breve.

Cheguei no hospital e fui direto para o quarto, entrei e fiquei em pé, ao lado dele.Peguei uma de suas mãos, que não estava com soro, coloquei em cima da minha barriga e muito emocionada abri minha boca para contar essa novidade tão repentina.

-Sthefen, esse aqui é o nosso filho, o fruto do nosso amor, querido, pode sentir? –Eu sorria e falava ao mesmo tempo, como se ele estivesse acordado. - O nome será Sthefen se for um menino, igual você meu amor. Você colocou dentro do meu ventre uma felicidade eterna, em meio a tanta tristeza eu pude sorrir mais uma vez. Eu te amo Sthefen.

Passaram-se mais 7 meses e minhas forças estavam se acabando a cada dia, eu tinha cada vez mais certeza de que Sthefen vegetaria até sua morte, isso causava uma tremenda dor em meu peito. Minha barriga estava enorme, eu não tomava os devidos cuidados com a criança, fumava a todo tempo,era como um consolo para minha dor, era muito mais forte do que a mim mesma e mesmo pensando com muito amor nessa criança, eu não conseguia controlar o meu vicio.
Uma noite estava em minha casa com minha mãe vendo o jornal, um dos médicos ligou-me pedindo para ir rapidamente até o hospital, disse que Sthefen teria dado uma melhorada. Rapidamente coloquei outra roupa, peguei minha bolsa e voltei para o hospital, chegando lá, o médico que fazia o seu acompanhamento disse que ele teria acordado. Não consigo descrever o tamanho da minha felicidade, não existe presente maior do que Sthefen vivo e o nosso filho que estava para nascer.

Entrei no quarto, e ele estava com os olhos abertos, olhavam para mim como se quisesse dizer alguma coisa, ai então segurei sua mão, ele sorrio de lado e fazendo muita força, disse devagar:

-Eu te amo Luiza, além da vida.

Meu coração acelerou, minha garganta formou um nó, uma chama de esperança queria a todo custo acender por completo, virar uma brasa de fogo, voltar a surgir em meu peito.

-Te tenho com a certeza de que você pode ir, te amo com a certeza de que irá voltar,pra gente ser feliz, você surgiu e juntos conseguimos ir mais longe, você dividiu comigo a sua história e me ajudou a construir a minha, hoje mais do que nunca, somos dois-Cantei para ele e sorri com lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

Igual a uma criança, Sthefen fechou os olhos e dormiu para sempre.

Não pude acreditar no que estava acontecendo, bem no fundo do coração eu já sabia que isso poderia acontecer cedo ou tarde, mas com a ligação do médico, com o abrir dos olhos de Sthefen, cheguei a pensar que toda aquela situação estaria acabando, naquele momento cheguei a pensar que ele realmente estava melhorando, foi uma facada em meu peito presenciar sua morte.

-Sthefen meu amor, não me deixe, você não pode ir, temos o nosso filho para criar, não me deixe – Gritava ao falar, aos prantos, sem crer na situação.

-Luiza, não temos mais o que fazer, geralmente é assim, os pacientes tem uma melhora e partem, você precisa ser forte.

-Cansei de ser forte, não agüento mais. –Eu chorava e ao mesmo tempo secava o rosto com a manga do meu casaco.

Não aceitando sua morte, indignada com os motivos de estar ali sem vida, segurei-o pela roupa do hospital e chacoalhei o mais forte que pude, tinha a intenção de fazê-lo voltar, tudo tão errôneo de minha parte. Completamente sem sentido algum tudo o que estava fazendo, ele jamais voltaria a ser o meu Sthefen repleto de planos e vida para dar e vender.

A noite passou, toda parte burocrática para seu velório e enterro foi vista pela minha mãe, eu estava tão morta quando Sthefen, meus olhos falavam que em meu corpo não havia mais vida, apenas em meu ventre crescia uma criança que eu ao menos consegui dar atenção enquanto um feto.
Passei toda manhã em seu velório, agarrada ao caixão, disposta a não deixá-lo ir embora, quase uma louca, sem noção das minhas atitudes, sem medir palavras a ser dita, alguém sozinha desde o disparo de uma bala perdida que encontrou o meu futuro marido, por acaso ou não, por algumas horas de antecedência ou não, talvez um destino cruel e nada além disso.

Como eu temia, chegou à hora de uma despedida final, a primeira e a ultima de nós dois. Segui junto a outras pessoas o caixão, levado por homens fortes e vestidos de preto, subiam toda rua do cemitério.

Era como se eu estivesse ali dento, ao lado de Sthefen, indo embora também e deixando as pessoas de uma só vez com nosso filho, os três jutos. Foi com essa sensação que segui até sua cova.
Desceram o caixão aos poucos e joguei uma rosa branca para que levasse com ele, todo cemitério cheirava flores, um perfume que exalava por todos os lados. O céu estava azul e o sol era muito forte nesse dia, alguns urubus voavam sob nossas cabeças e fazia um barulho das árvores que balançavam com o vento de um lado para o outro em total sintonia. As pessoas me abraçavam, como se isso me consolasse. Pediam para eu ser forte, mas começando sem entender o porquê dessa crueldade com Sthefen já perdia todas as minhas forças.


Olhei para o céu e disse:

-A Sthefen, você levou embora uma parte de mim no momento em que foi sepultado, a outra parte morrera a cada dia sem sua presença aqui. Eu te amo, amo muito. –Fui saindo devagar do cemitério, ao lado da minha querida mãe.

Ao entrar no carro, comecei a sentir dores horríveis em meu ventre, cheguei a sentar no chão e sem conseguir levantar passei as mãos em minhas coxas.

-Me ajuda mãe, chama alguém, estou sangrando. – Eu gritava, agora com medo de perder a única parte importante que sobrará em minha vida.

-Calma filha, vou te colocar no carro e você vai ficar bem, sua bolsa estourou, provavelmente o neném esta querendo nascer um pouco antes da hora. –Sua voz era suave, como uma canção de ninar.

Passei a delirar, todo o cansaço, descuido com a gravidez, preocupação, nervosismo e má alimentação estava fazendo efeito naquela tarde, logo após o enterro de Sthefen.

Minha mãe levou-me imediatamente até o hospital, quando acordei já estava em trabalho de parto, fizeram uma cesárea urgente, escutei o médico conversar com os enfermeiros.

-É um menino, vejam só.

-Ele é lindo – Disse uma mulher que ali estava presente, provável que seja uma enfermeira também.

-Me deixemeu dar um beijo nele, por favor -Eu quase implorei para os médicos.
Colocaram-no do meu lado, tão pequeno e indefeso, me fez sorrir e chorar ao mesmo tempo, quanto sofrimento e quanta felicidade, não pode descrever o que senti ao ver meu filho Sthefen, tão dependente de mim.

Ficamos algum tempo no hospital, o pequeno Sthefen precisava ganhar peso, tomar alguns medicamentos, nasceu tão pequeno em comparação as outras crianças. Eu o observava aquela coisinha tão frágil por horas, sem cansar-me, todos os momentos eu passei ao lado dele, acompanhando seu crescimento, seus primeiros dias de vida.

Três anos após a morte de Sthefen e o nascimento da minha mais preciosa jóia

Esses três anos, passei ao lado do amado filho, contei a ele sobre seu pai. Uma vez por semana íamos juntos até o cemitério, levávamos flores e o meu pequeno grande Sthefen sempre fazia alguns rabiscos em folhas, dizia serem “as cartinhas do papai”. Ele era a minha maior felicidade que eu poderia ter em meio a tanta angustia, o único que conseguia tirar um sorriso do meu rosto, com um abraço me acalmava, com uma só palavra mudava os meus dias de toda semana, eu aprendi com meu filho outro tipo de amor, incondicional, absoluto.

Sempre tentei ser o melhor para o meu pequeno príncipe, uma mãe tão boa quanto a minha, mas minha dor ainda era imensa. Às vezes ia dormir com a impressão de que não fosse mais levantar, em sonhos Sthefen vinha para me buscar, tinha a sensação de que estava ficando louca, escutava vozes, escutava a voz dele. Sentia seu calor, arrepiava-me como se fosse um sinal que indicava sua presença, todas as noites era a mesma coisa, o cheiro do perfume que usava se espalhava quando todos estavam em silêncio como se somente eu pudesse sentir, começava no meu quarto e ia até a sala.

Nas vozes que eu escutava, ele sempre dizia quase a mesma coisa.

-Cuida bem do nosso pequeno Sthefen, ele nos ligara para sempre, onde quer que nós estejamos. Eu te amo Luiza

-Sou completamente sua, até morrer. Eu te amo de uma forma que meu coração chega doer Sthefen. Você foi o grande amor da minha vida, sempre será, onde quer que eu esteja estou pensando em nós dois, esperando para te encontrar só mais uma vez. Sonho com o brilho dos seus olhos, sinto o seu gosto e consigo vê-lo nas mais pequenas coisas.Parte de nós dois me acompanha todo o tempo, o nosso filho, ainda tão pequeno é a maior herança que você poderia deixar-me, vamos nos encontrar, me espera. Eu te juro o meu amor, meu eterno amor. –Foram as palavras que eu disse à ele em um dos meus sonhos, onde segurava suas mãos, conforme eu ia acordando aos poucos, ele me soltava lentamente e mais uma vez eu encontrava forças para caminhar.

Nosso amor vai além da vida, eu sei.



minha Olía ♥

Worabey waloda

domingo, 23 de maio de 2010

Nostalgia

uns 10 anos atrás não existia orkut. o 'te amo' não era banalizado. as crianças iam à parques e não tinham problemas de visão nem obesidade dados pelos videogames e computadores. mc donalds custava 4 reais. kinder ovo, 1 real. os namoros duravam mais, ou pelo menos duravam alguma coisa; e traição era um escândalo. a piada da galinha atravessando a rua era engraçada. para ser presidente eram necessários 10 dedos e um mínimo de alfabetização. meninas de 11 anos brincavam de boneca, e não saíam pra 'pegar geral'. plutão era um planeta . festas de 15 anos não eram eventos. ser 'playsson' ou 'pitboy' não fazia diferença. a intenção num show era ver o show e não brigar. tênis de luzinha era essencial . ICQ era o meio de comunicação. pessoas realmente se conheciam e não apenas pela internet. fotos eram tiradas para recordarem um momento, e não para servir de book no orkut. diesel era combustível. merthiolate ardia. bonde era meio de transporte e bala era juquinha e 7 bello, e não perdida ou droga.


domingo, 9 de maio de 2010


peço desculpas

pelo meu afastamento com a escola eu fikei meu cheio de coisas pra fazer
e tambem por nao terminar a outra historia --'
mas eu tava aqui a mecher em minhas coisas e encontrei uma historinha beeem legal
mas ta sem capas e tals

essa eu prometo terminar

segunda-feira, 12 de abril de 2010

De ontem em diante



Teatro Magico

De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem

sábado, 3 de abril de 2010

Kim


marshall mathers

-Awww olha a filhinha do papai essa é minha filha dorminhoca ontem eu troquei suas fraldas
te limpei e passei talco em você tomo você cresceu tanto? não acredito, agora você tem 2 anos amor você é tão preciosa papai está orgulhoso por você
Sente-se vagabunda se você mexer de novo eu espanco você
- Okay
- Não faça eu acordar essa criança, ela não precisa ver o que eu vou fazer. Pare de chorar vagabunda, por que você sempre faz eu gritar com você?Como você pôde? Me largar e amar outro,Oh, o que houve Kim?Eu tô falando muito alto?Que pena vagabunda, cê vai me ouvir finalmente.No começo, eu dizia você quer me mandar embora de casa? Está bem!
Mas não pra outro ocupar meu lugar, você tá louca?Esse sofá, essa TV, essa casa inteira é minha! Como você pôde deixar ele dormir na nossa cama?Olhe Kim,Olhe para o seu marido agora!
- Não!
- Eu disse pra olhar pra ele! Ele não é tão bom agora né? Cuzão
- Por que você está fazendo isso?
- Cala essa porra da sua boca!
- Você está bêbado! Você nunca vai conseguir escapar dessa!
- Cê acha que eu me importo?Vamos lá dar uma volta vagabunda
- Não!
- Senta na frente
- Eu não posso deixar a Hailie sozinha, e se ela acordar?
- A gente já volta, quer dizer eu sim, você estará no porta malas. Você me fudeu Kim você me enganou legal eu não sabia que eu enganando você, faria com que voltasse a me atormentar mas nós éramos crianças Kim, eu só tinha 18 isso faz anos eu pensei que já tava tudo certo isso é mancada!
- Eu te amo!
- Ai meu Deus minha cabeça está doendo!
- Eu te amo
- O que você está fazendo? Muda de rádio eu odeio essa música! Cê acha que isso é uma piada né?
- Não!
-Tem um moleque de 4 anos morto com seu pescoço cortado na sua sala, HAHA! o que? Você acha que estou brincando? você amava ele não amava?
- Não!
- O CARALHO! Não minta pra mim sua puta qual que é o problema desse cara do meu lado? FODA-SE CUZÃO, é me morde
Kim? KIM!!?? Por que você não gosta de mim? Você acha que eu sou feio não é?
- Não é isso
- Não, você acha que eu sou feio
- Amor
- Saia de perto de mim, não me encosta EU TE ODEIO! EU TE ODEIO! EU JURO POR DEUS QUE EU TE ODEIO! AI MEU DEUS EU TE AMO Como que você pôde fazer isso comigo?
- Me desculpa!
-Como que você pôde fazer isso comigo? Vai logo saia!
- Não posso, estou com medo
-EU DISSE SAIA VAGABUNDA!
- Solta meu cabelo, por favor não faça isso amor por favor eu te amo, olha a gente pode pegar a Hailie e ir embora
- Vai tomar no cu, você fez isso com a gente. Você que fez, é sua culpa Ô meu Deus tô rachando o bico. Se toca Marshall hey lembra daquela vez que nós fomos na festa do Brian? e você tava tão bêbada que vomitou tudo no Archie aquilo foi engraçado não foi?
- Foi
- Aquilo foi engraçado não foi?
- FOI!
-Viu agora faz sentido, não faz? Você e seu marido tem uma briga um de vocês tentam pegar uma faca e durante a briga ele tem sua garganta cortada sem querer
- Não!
- E enquanto isso acontece o filho dele acorda e ele entra na sala faz um escândalo e ele tem sua garganta cortada
- Ai meu Deus!
- Agora os dois estão mortos e você corta sua própria garganta então agora é homicídio duplo e suicídio eu deveria ter percebido antes quando você começou a agir diferente nós poderíamos...HEY! Onde cê vai? Volta aqui!! Cê não pode correr de mim Kim! Somos só nós, ninguém mais!
Você só tá dificultando as coisas mais pra você
HAHA!!! TE PEGUEI!
- AHHHHH!!
- HA!
- Vai grita!! Vai eu grito com você! AHH ALGUEM ME AJUDA!!!! Cê não entende vagabunda? Ninguém consegue te ouvir
Agora cala a boca que você vai ter o que merece
VOCÊ TINHA QUE AMAR A MIM!! {Kim sendo enforcada}
AGORA SANGRA! SANGRA VAGABUNDA!

terça-feira, 23 de março de 2010

Ela levante-se e diz-me meu amor já vou
E sem drama peço um beijo e digo-lhe tá bom
Mas no fundo meu coração grita fica aqui
Eu detesto quando ela se vai longe de mim
É que só ela traz o brilho no meu olhar
É que só ela me dá asas para voar
E quando está comigo me sinto mais vivo
Mas quando vai embora a tristeza mora
Não sei se é Fanatismo
Mas eu quando estou longe de ti
Me sinto como um...
Como um garoto, desprotegido
Não sei se é Fanatismo
Basta um segundo longe de ti
Eu sinto logo falta dos...
Dos teus carinhos, dos teus abraços
Não sei se é Fanatismo
Mas, baby, é um castigo
Pois, quando tu não estas aqui parece que estou num
hospício
Me põem no bolso
Me leva contigo
Grudar em ti
Quem nem tatuagem no teu corpo (8)

terça-feira, 9 de março de 2010

Feliz Ano Novo - Rubem Fonseca

Feliz Ano Novo

Rubem Fonseca


Vi na televisão que as lojas bacanas estavam vendendo adoidado roupas ricas para as madames vestirem no reveillon. Vi também que as casas de artigos finos para comer e beber tinham vendido todo o estoque.

Pereba, vou ter que esperar o dia raiar e apanhar cachaça, galinha morta e farofa dos macumbeiros.

Pereba entrou no banheiro e disse, que fedor.

Vai mijar noutro lugar, tô sem água.

Pereba saiu e foi mijar na escada.

Onde você afanou a TV, Pereba perguntou.

Afanei, porra nenhuma. Comprei. O recibo está bem em cima dela. Ô Pereba! você pensa que eu sou algum babaquara para ter coisa estarrada no meu cafofo?

Tô morrendo de fome, disse Pereba.

De manhã a gente enche a barriga com os despachos dos babalaôs, eu disse, só de sacanagem.

Não conte comigo, disse Pereba. Lembra-se do Crispim? Deu um bico numa macumba aqui na Borges de Medeiros, a perna ficou preta, cortaram no Miguel Couto e tá ele aí, fudidão, andando de muleta.

Pereba sempre foi supersticioso. Eu não. Tenho ginásio, sei ler, escrever e fazer raiz quadrada. Chuto a macumba que quiser.

Acendemos uns baseados e ficamos vendo a novela. Merda. Mudamos de canal, prum bang-bang, Outra bosta.

As madames granfas tão todas de roupa nova, vão entrar o ano novo dançando com os braços pro alto, já viu como as branquelas dançam? Levantam os braços pro alto, acho que é pra mostrar o sovaco, elas querem mesmo é mostrar a boceta mas não têm culhão e mostram o sovaco. Todas corneiam os maridos. Você sabia que a vida delas é dar a xoxota por aí?

Pena que não tão dando pra gente, disse Pereba. Ele falava devagar, gozador, cansado, doente.

Pereba, você não tem dentes, é vesgo, preto e pobre, você acha que as madames vão dar pra você? Ô Pereba, o máximo que você pode fazer é tocar uma punheta. Fecha os olhos e manda brasa.

Eu queria ser rico, sair da merda em que estava metido! Tanta gente rica e eu fudido.

Zequinha entrou na sala, viu Pereba tocando punheta e disse, que é isso Pereba?

Michou, michou, assim não é possível, disse Pereba.

Por que você não foi para o banheiro descascar sua bronha?, disse Zequinha.

No banheiro tá um fedor danado, disse Pereba. Tô sem água.

As mulheres aqui do conjunto não estão mais dando?, perguntou Zequinha.

Ele tava homenageando uma loura bacana, de vestido de baile e cheia de jóias.

Ela tava nua, disse Pereba.

Já vi que vocês tão na merda, disse Zequinha.

Ele tá querendo comer restos de Iemanjá, disse Pereba.

Brincadeira, eu disse. Afinal, eu e Zequinha tínhamos assaltado um supermercado no Leblon, não tinha dado muita grana, mas passamos um tempão em São Paulo na boca do lixo, bebendo e comendo as mulheres. A gente se respeitava.

Pra falar a verdade a maré também não tá boa pro meu lado, disse Zequinha. A barra tá pesada. Os homens não tão brincando, viu o que fizeram com o Bom Crioulo? Dezesseis tiros no quengo. Pegaram o Vevé e estrangularam. O Minhoca, porra! O Minhoca! crescemos juntos em Caxias, o cara era tão míope que não enxergava daqui até ali, e também era meio gago - pegaram ele e jogaram dentro do Guandu, todo arrebentado.

Pior foi com o Tripé. Tacaram fogo nele. Virou torresmo. Os homens não tão dando sopa, disse Pereba. E frango de macumba eu não como.

Depois de amanhã vocês vão ver. Vão ver o que?, perguntou Zequinha.

Só tô esperando o Lambreta chegar de São Paulo.

Porra, tu tá transando com o Lambreta?, disse Zequinha.

As ferramentas dele tão todas aqui.

Aqui!?, disse Zequinha. Você tá louco.

Eu ri.

Quais são os ferros que você tem?, perguntou Zequinha. Uma Thompson lata de goiabada, uma carabina doze, de cano serrado, e duas magnum.

Puta que pariu, disse Zequinha. E vocês montados nessa baba tão aqui tocando punheta?

Esperando o dia raiar para comer farofa de macumba, disse Pereba. Ele faria sucesso falando daquele jeito na TV, ia matar as pessoas de rir.

Fumamos. Esvaziamos uma pitu.

Posso ver o material?, disse Zequinha.

Descemos pelas escadas, o elevador não funcionava e fomos no apartamento de Dona Candinha. Batemos. A velha abriu a porta.

Dona Candinha, boa noite, vim apanhar aquele pacote.

O Lambreta já chegou?, disse a preta velha.

Já, eu disse, está lá em cima.

A velha trouxe o pacote, caminhando com esforço. O peso era demais para ela. Cuidado, meus filhos, ela disse.

Subimos pelas escadas e voltamos para o meu apartamento. Abri o pacote. Armei primeiro a lata de goiabada e dei pro Zequinha segurar. Me amarro nessa máquina, tarratátátátá!, disse Zequinha.

É antiga mas não falha, eu disse.

Zequinha pegou a magnum. Jóia, jóia, ele disse. Depois segurou a doze, colocou a culatra no ombro e disse: ainda dou um tiro com esta belezinha nos peitos de um tira, bem de perto, sabe como é, pra jogar o puto de costas na parede e deixar ele pregado lá.

Botamos tudo em cima da mesa e ficamos olhando. Fumamos mais um pouco.

Quando é que vocês vão usar o material?, disse Zequinha.

Dia 2. Vamos estourar um banco na Penha. O Lambreta quer fazer o primeiro gol do ano.

Ele é um cara vaidoso, disse Zequinha.

É vaidoso mas merece. Já trabalhou em São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vitória, Niterói, pra não falar aqui no Rio. Mais de trinta bancos.

É, mas dizem que ele dá o bozó, disse Zequinha.

Não sei se dá, nem tenho peito de perguntar. Pra cima de mim nunca veio com frescuras.

Você já viu ele com mulher?, disse Zequinha.

Não, nunca vi. Sei lá, pode ser verdade, mas que importa?

Homem não deve dar o cu. Ainda mais um cara importante como o Lambreta, disse Zequinha.

Cara importante faz o que quer, eu disse.

É verdade, disse Zequinha.

Ficamos calados, fumando.

Os ferros na mão e a gente nada, disse Zequinha.

O material é do Lambreta. E aonde é que a gente ia usar ele numa hora destas?

Zequinha chupou ar fingindo que tinha coisas entre os dentes. Acho que ele também estava com fome.

Eu tava pensando a gente invadir uma casa bacana que tá dando festa. O mulherio tá cheio de jóia e eu tenho um cara que compra tudo que eu levar. E os barbados tão cheios de grana na carteira. Você sabe que tem anel que vale cinco milhas e colar de quinze, nesse intruja que eu conheço? Ele paga na hora.

O fumo acabou. A cachaça também. Começou a chover. Lá se foi a tua farofa, disse Pereba.

Que casa? Você tem alguma em vista?

Não, mas tá cheio de casa de rico por aí. A gente puxa um carro e sai procurando.

Coloquei a lata de goiabada numa saca ele feira, junto com a munição. Dei uma magnum pro Pereba, outra pro Zequinha. Prendi a carabina no cinto, o cano para baixo e vesti uma capa. Apanhei três meias de mulher e uma tesoura. Vamos, eu disse.

Puxamos um Opala. Seguimos para os lados de São Conrado. Passamos várias casas que não davam pé, ou tavam muito perto da rua ou tinham gente demais. Até que achamos o lugar perfeito. Tinha na frente um jardim grande e a casa ficava lá no fundo, isolada. A gente ouvia barulho de música de carnaval, mas poucas vozes cantando. Botamos as meias na cara. Cortei com a tesoura os buracos dos olhos. Entramos pela porta principal.

Eles estavam bebendo e dançando num salão quando viram a gente.

É um assalto, gritei bem alto, para abafar o som da vitrola. Se vocês ficarem quietos ninguém se machuca. Você aí, apaga essa porra dessa vitrola!

Pereba e Zequinha foram procurar os empregados e vieram com três garções e duas cozinheiras. Deita todo mundo, eu disse.

Contei. Eram vinte e cinco pessoas. Todos deitados em silêncio, quietos, como se não estivessem sendo vistos nem vendo nada.

Tem mais alguém em casa?, eu perguntei.

Minha mãe. Ela está lá em cima no quarto. É uma senhora doente, disse uma mulher toda enfeitada, de vestido longo vermelho. Devia ser a dona da casa.

Crianças?

Estão em Cabo Frio, com os tios.

Gonçalves, vai lá em cima com a gordinha e traz a mãe dela.

Gonçalves?, disse Pereba.

É você mesmo. Tu não sabe mais o teu nome, ô burro? Pereba pegou a mulher e subiu as escadas.

Inocêncio, amarra os barbados.

Zequinha amarrou os caras usando cintos, fios de cortinas, fios de telefones, tudo que encontrou.

Revistamos os sujeitos. Muito pouca grana. Os putos estavam cheios de cartões de crédito e talões de cheques. Os relógios eram bons, de ouro e platina. Arrancamos as jóias das mulheres. Um bocado de ouro e brilhante. Botamos tudo na saca.

Pereba desceu as escadas sozinho.

Cadê as mulheres?, eu disse.

Engrossaram e eu tive que botar respeito.

Subi. A gordinha estava na cama, as roupas rasgadas, a língua de fora. Mortinha. Pra que ficou de flozô e não deu logo? O Pereba tava atrasado. Além de fudida, mal paga. Limpei as jóias. A velha tava no corredor, caída no chão. Também tinha batido as botas. Toda penteada, aquele cabelão armado, pintado de louro, de roupa nova, rosto encarquilhado, esperando o ano novo, mas já tava mais pra lá do que pra cá. Acho que morreu de susto. Arranquei os colares, broches e anéis. Tinha um anel que não saía. Com nojo, molhei de saliva o dedo da velha, mas mesmo assim o anel não saía. Fiquei puto e dei uma dentada, arrancando o dedo dela. Enfiei tudo dentro de uma fronha. O quarto da gordinha tinha as paredes forradas de couro. A banheira era um buraco quadrado grande de mármore branco, enfiado no chão. A parede toda de espelhos. Tudo perfumado. Voltei para o quarto, empurrei a gordinha para o chão, arrumei a colcha de cetim da cama com cuidado, ela ficou lisinha, brilhando. Tirei as calças e caguei em cima da colcha. Foi um alívio, muito legal. Depois limpei o cu na colcha, botei as calças e desci.

Vamos comer, eu disse, botando a fronha dentro da saca. Os homens e mulheres no chão estavam todos quietos e encagaçados, como carneirinhos. Para assustar ainda mais eu disse, o puto que se mexer eu estouro os miolos.

Então, de repente, um deles disse, calmamente, não se irritem, levem o que quiserem não faremos nada.

Fiquei olhando para ele. Usava um lenço de seda colorida em volta do pescoço.

Podem também comer e beber à vontade, ele disse.

Filha da puta. As bebidas, as comidas, as jóias, o dinheiro, tudo aquilo para eles era migalha. Tinham muito mais no banco. Para eles, nós não passávamos de três moscas no açucareiro.

Como é seu nome?

Maurício, ele disse.

Seu Maurício, o senhor quer se levantar, por favor?

Ele se levantou. Desamarrei os braços dele.

Muito obrigado, ele disse. Vê-se que o senhor é um homem educado, instruído. Os senhores podem ir embora, que não daremos queixa à polícia. Ele disse isso olhando para os outros, que estavam quietos apavorados no chão, e fazendo um gesto com as mãos abertas, como quem diz, calma minha gente, já levei este bunda suja no papo.
Inocêncio, você já acabou de comer? Me traz uma perna de peru dessas aí. Em cima de uma mesa tinha comida que dava para alimentar o presídio inteiro. Comi a perna de peru. Apanhei a carabina doze e carreguei os dois canos.

Seu Maurício, quer fazer o favor de chegar perto da parede? Ele se encostou na parede. Encostado não, não, uns dois metros de distância. Mais um pouquinho para cá. Aí. Muito obrigado.

Atirei bem no meio do peito dele, esvaziando os dois canos, aquele tremendo trovão. O impacto jogou o cara com força contra a parede. Ele foi escorregando lentamente e ficou sentado no chão. No peito dele tinha um buraco que dava para colocar um panetone.

Viu, não grudou o cara na parede, porra nenhuma.

Tem que ser na madeira, numa porta. Parede não dá, Zequinha disse.

Os caras deitados no chão estavam de olhos fechados, nem se mexiam. Não se ouvia nada, a não ser os arrotos do Pereba.

Você aí, levante-se, disse Zequinha. O sacana tinha escolhido um cara magrinho, de cabelos compridos.

Por favor, o sujeito disse, bem baixinho. Fica de costas para a parede, disse Zequinha.
Carreguei os dois canos da doze. Atira você, o coice dela machucou o meu ombro. Apóia bem a culatra senão ela te quebra a clavícula.

Vê como esse vai grudar. Zequinha atirou. O cara voou, os pés saíram do chão, foi bonito, como se ele tivesse dado um salto para trás. Bateu com estrondo na porta e ficou ali grudado. Foi pouco tempo, mas o corpo do cara ficou preso pelo chumbo grosso na madeira.

Eu não disse? Zequinha esfregou ó ombro dolorido. Esse canhão é foda.

Não vais comer uma bacana destas?, perguntou Pereba.

Não estou a fim. Tenho nojo dessas mulheres. Tô cagando pra elas. Só como mulher que eu gosto.

E você... Inocêncio?

Acho que vou papar aquela moreninha.

A garota tentou atrapalhar, mas Zequinha deu uns murros nos cornos dela, ela sossegou e ficou quieta, de olhos abertos, olhando para o teto, enquanto era executada no sofá.

Vamos embora, eu disse. Enchemos toalhas e fronhas com comidas e objetos.

Muito obrigado pela cooperação de todos, eu disse. Ninguém respondeu.

Saímos. Entramos no Opala e voltamos para casa.

Disse para o Pereba, larga o rodante numa rua deserta de Botafogo, pega um táxi e volta. Eu e Zequinha saltamos.

Este edifício está mesmo fudido, disse Zequinha, enquanto subíamos, com o material, pelas escadas imundas e arrebentadas.

Fudido mas é Zona Sul, perto da praia. Tás querendo que eu vá morar em Vilópolis?

Chegamos lá em cima cansados. Botei as ferramentas no pacote, as jóias e o dinheiro na saca e levei para o apartamento da preta velha.

Dona Candinha, eu disse, mostrando a saca, é coisa quente.

Pode deixar, meus filhos. Os homens aqui não vêm.

Subimos. Coloquei as garrafas e as comidas em cima de uma toalha no chão. Zequinha quis beber e eu não deixei. Vamos esperar o Pereba.

Quando o Pereba chegou, eu enchi os copos e disse, que o próximo ano seja melhor. Feliz Ano Novo.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Anjo da Guarda

Capitulo 5


- Ei voce tá ai ? - dizia a garota passando a mão na frente dos olhos do garoto
- ã? que ? -dizia o garoto despertando de suas lembranças
-Eu te fiz uma pergunta ...
- Nao.nao sei de nada,nao lembro.- respondeu o garoto, com os olhos fixos no teto, tentando fugir dos olhares ansiosos da garota.
- Que pena, você não acha injusto?
- O que? - pergunto o anjo com desdém.
- Que você saiba tudo sobre mim e eu nada, então me diga, como é o cêu? Deus realmente existe? - ela estava começando a gostar da situação, mas pelo jeito o anjo não estava no mesmo piqui, pois depois de uns segundos olhando para o teto, disse:
- Quer que eu te mato? ai você descobri isso bem rapidinho - dizia o anjo dando um longo suspiro.
-Você é muito grosso sabia?
-Você é muito curiosa sabia?

depois eu continuo

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

PILOTO INGLÊS

PILOTO INGLÊS ANGUSTIADO ESCREVE PARA A MÃE DO PILOTO ALEMÃO QUE ELE MATOU EM COMBATE

É seu filho. Sei que a senhora não pode me perdoar por tê-lo matado.
Mas quero que a senhora saiba que ele não sofreu. O fim veio rápido.
Ele era muito corajoso. Deve ter sido muito bom. Levava sua foto no
bolso. Eu a estou enviando de volta, ainda que quisesse guardá-la.
Suponho que eu seja inimigo dele, ainda que não tenha pensado nele ou
na senhora quando atirei em seu avião. Ele era um inimigo espião para
nossos homens. Não podia permitir que ele voasse de volta para sua
base com informações sobre nós. Isso significaria a morte para nossos
homens.
Foi uma manobra inteligente. Estávamos camuflados e ele precisou voar
muito baixo para conseguir nos ver, e o fez bravamente. Ele quase
escapou de mim. Pilotava magnificamente. Pensei sobre como gostaria de
voar como ele. Mas ele era inimigo e precisava ser destruído. Eu atirei. Tudo acabou em um segundo. Apenas um tiro na cabine, e o avião chocou-se contra o chão. No rosto dele, não havia sofrimento, apenas
excitação. Seus olhos eram brilhantes e sem medo.
Sei que a senhora deve tê-lo amado. Minha mãe morreu quando eu era pequeno. Mas sei o que ela sentiria, se eu tivesse morrido. As guerras não são justas para as mulheres. Deus! Como eu queria que a guerra
tivesse acabado. Ela é um pesadelo.
Sinto que, se eu pudesse tocar o corpo dele, ele simples-mente despertaria e poderíamos ser amigos. Sei que o corpo dele deve ser muito importante para a senhora. Vou cuidar dele e sinalizarei seu
túmulo com uma cruz. Depois da guerra a senhora pode desejar levá-lo
para seu país.
Pela primeira vez, estou quase feliz por minha mãe não estar viva. Ela não teria suportado o que fiz. Meu coração está pesado. Sinto que era minha missão. Ainda assim, agora que vejo seu filho sem vida diante de
mim e tenho a foto da senhora em minhas mãos, tudo parece muito errado. O mundo é sombrio. Oh, mãe, seja minha mãe apenas por um instante e diga-me o que fazer.

A MÃE DO PILOTO ALEMÃO RESPONDE AO AVIADOR INGLÊS QUE MATOU SEU FILHO
Caro rapaz,
Não há o que perdoar. Vejo como você está — sua bondade dilacerada.
Sinto-o vindo a mim como um garotinho assustado por ter feito mal
quando tinha intenção de fazer o bem. Você parece meu filho. Fico
feliz em saber que suas mãos cuidaram dele. Prefiro que você a
qualquer outra pessoa tenha tocado seu corpo estendido. Ele era meu
filho caçula. Acredito que você tenha visto a delicadeza dele.

Sei que seu coração está atormentado desde que você o alvejou. Para as
mulheres, a irmandade é uma realidade. Pois todos os homens são nossos
filhos. A guerra é uma situação monstruosa, que leva um irmão a matar
o outro. Ainda assim, acredito que as mulheres tenham mais
responsabilidade por essa guerra mundial do que os homens. Não
pensamos nos filhos do mundo, em nossos filhos. A mãozinha do bebê que
tocou nosso seio era tão doce que esquecemos as centenas de mãos de
outros bebês que se estendem para nós. Mas a Terra não esquece, ela é
a mãe de todos.
E agora meu coração sofre muito. Espero um dia tomar você em meus braços e deitar sua cabeça sobre meu seio para fazê-lo sentir em mim
toda sua afinidade com a Terra. Ajude-me, meu filho, eu preciso de
você. Que sua visão seja minha visão. Espalhe seu sonho de unidade e
de amor por toda a terra. Quando esta guerra acabar, venha até mim. Eu o estou esperando.
Sua mãe

Revista Grandes guerras edição especial dos 90 anos do fim da 1ª
Guerra ( edição 25 de out/08)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Vendedor de biscoitos


Eu sou o Zé Paraíba, venho lá de riba só pra trabalhar,Pode me chamar de pau-de-arara,Se não vai com a minha cara que eu não vou ligar.Sou pai de família, sujeito honrado não puxo fiado, não devo a ninguém,não sou vigarista, eu acho isso feio,não pego no alheio, pois não me convém.Talvez você não saiba, eu servi na Itália não tenho medalha, não sou Zé ninguém, viver do trabalho é que eu compreendo,por isso é que eu vendo biscoito no trem.Eu tenho um filhinho pequeno demais mas ele já faz o que eu vou lhe ensinar já assina seu nome, já lê a cartilha já sabe que Brasília é a "capitá".É um brasileirinho, esperto sadio não é um vadio, não ri de ninguém eu quero que na vida ele compreenda, pra que ele nao venda venda biscoito no trem

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Belo Par ♥

Situação estranha quando estou longe de você
Situação confortável é ouvir meu bem querer
Te amo é verdade nossa história de cinema
Muito mais que isso nossa história é um poema

Tu sabe que eu faço tudo que você quiser
Assumo sou seu homem, você é minha mulher
Mas não perco sentido nem a sua compulsão
Formamos um belo par sem fachada e ilusão

Sabemos encarar o dia-a-dia honestamente
Sempre com disciplina pois tudo foi de repente
Mas tenho um alívio que encontro no seu beijo
Me faz ficar em paz, é só você que eu desejo

Desejo e te vejo numa praia anoitecendo
Deitada no meu colo, meu casaco te aquecendo
É difícil encontrar uma palavra que te descreva
Só sei que vou te amar onde quer que você esteja



Meu amor só você me deixa assim,
Declarações por você não terão fim
Modestia a parte, eu preciso comentar
parece que nós dois formamos um belo par

Um belo par de causar inveja a qualquer um
Nossa relação é clara não vejo problema algum
E o que acontece daqui pra frente,
Temos que encarar e saber usar a mente

O calor de nossos corpos aquece uma lareira
O que eu digo pra você não é de brincadeira
E o mais engraçado de todo esse nosso caso
É que tudo aconteceu muito estranho e por acaso

Antigamente eu pensava em uma namorada
Mas nesse meio tempo pensei que era fachada
Não foi preciso suar nem que as pessoas se extressem
Porque é quando não esperamos que as coisas acontecem

Você tem tudo que eu não encontro em outra mulher
Tá sempre disponível na hora que eu quiser
É muito bom viver contigo, eu não estou errado
Agradeço muito a Deus por ter te encontrado

Meu amor só você me deixa assim
Declarações por você não terá fim
Modestia a parte a minha, eu preciso comentar
parece que nós dois formamos um belo par

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Anjo da guarda

CAPITULO 4 - A infância conturbada de um anjo da guarda

Dia 22 de outubro 2000 ,Zona Sul São Paulo, um menino corria entre os becos com seu chinelo havaianas azul, já fazia algum tempo que estava correndo mas não podia parar, não sabia o quando tudo aquilo era perigoso. Morava naquela favela desde pequeno e já estava acostumado com os conflitos existentes lá, como já estava acostumado a fugir dele.
Mas daquela vez tudo parecia mais forte e cada bala que ouvia, um grito surgia logo após.
Chegando em sua casa o garoto subia na laje ainda
não terminada para ver o que acontecia.
A constante guerra de policias e traficantes começava mais uma vez.

Um Barulho de pessoas chutando sua porta fez o garoto se esconde no entulho de tijolos e madeira da contruçao de sua casa.
Quando via um grupo de homens armados falando com sua mãe, sem entender o que falavam só sabia que sua mãe estava com medo, era tanta confusão que a atordoada criança não sabia o que fazer.
enquanto olhava para confusão escondido um dos homens saca o revolver de seu bolso e cessa a gritaria da mulher com um disparo. Espectador da cena que nunca mais iria esquecer garoto espera descerem e agitado se aproxima em lágrimas de sua mãe.
Desce as escadas da laje e vai até seu vizinho.

sábado, 10 de outubro de 2009

O Anjo da Guarda

CAPITULO 1 - O Anjo


Um anjo safado me disse uma vez que eu estava predestinado a ser sempre errado assim ja de saída minha estrada entortou mais fui ate o fim.No fim minhas loucuras não deram em nada e que essa bagunça, não servia para nada, e uma pessoas me disse uma vez que anjos já foram humanos e que errar é humano por isso erramos então errar e ser um anjo leve enconta nossos erros somos anjos nao santos.Oque adianta tentar me explicar não é?Tudo um dia acaba com uma visão linda do vidro do caixão, a terra caindo da pá do coveiro.
Acabei de ouvir as notícias de hoje , Parece que a minha vida vai mudar,Deus me falou que eu ia trabalhar agora com uma garotinha da mesma idade que eu, era pra mim ser o guia dela,o protetor.Vou-te mostrar tudo, Com os braços bem abertos , Não sei se estarei preparado .Um anjo moleque inresponsavel pixador,pra proteger uma garota cheia de mimos...
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CAPITULO 2 - A Garota

Já fazia algum tempo que eu estava impaciente, não queria mais que eles me olhassem daquele geito.
Não sei qual é a graça de me olhar? Baixinha como sou, com esse cabelo estranho, e rosto cheio de espinhas, não sei o que tem de bom aqui pra olhar. A não ser que eles olhem para rir, só se for. Ahhh, não saio mais de casa tbm. DECIDI.
Fazia umas três semanas que minha vida era só escola/casa, casa/escola, não queria sair, recusava o convite de amigos, não entrava no computador pra nada. Era só eu, a Tevê e meu quarto, a comida era minha unica companheira. Já fazia dias que eu não via nenhuma das meninas das antigas, Ahhh tbm nem precisava mais, pra que? Só rpa elas dizerem que eu engordei? Que o tempo não me deixou crescer? Não quero chatiações pro meu lado.
Por Jéssica Alina

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Olha comoo ela é linda.... Babei :D
Não sei qual a graçaa de ser anjo da guarda de alguem se esse alguem nem sabe que você existe me revoltei.Mas tambem vidinha monotonaa dessa garota ein puta que pariu ¬¬ da casa pra escola e vice versa acabei durmindo de tanto tedioo,durmi meesmo acabei não protegendo ela na escola um dia, mas quando eu acordei di que ela tinha escoregado em uma casca de banana.....suhsuhsushsuhs' morri de rir,e toda escola riu tambem, falei que eu não ia ser um bom anjo.PORRA U.U,
aa ela ta moul mal =/
Vô descer pra ver ela leva ela pra viver la vida loca.
Intao elee desceu de sua nuvem de vigia e bateu suas asas até o quarto da garota,onde não apareceu so ficou observando-a
Ela toda consentrada lendo um livro em sua cama, "Uma vida interrompida, memorias de um anjo assassinado", sera que nesse livro tambem tem um anjo como eu - entao ele deitou do lado dela e ficou a observando,intão um Arrepio percorre a espinha da Garota.
- Deve ter um anjo por perto :D
- Heey como sabe disso !?
- Olha descubri que alem de feia sou esquisofrenicaa ):
- Você não é feia carai
- MEDO 0.0'
Intão a imagem de um garoto de barba mal feita,com boné para trás,corrente,pulceira e anéis de prata, Calça larga,com dois furos na camiseta,um no peito outro na barriga, e com o tenis sujo de sangue aparece diante da garota
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CAPITULO 3- Eu so posso estar ficando Louca.

Como se já não bastasse eu estar com o braço engessado graças a aquela banana maldita, ainda caio da cama quando um menino se materealiza na minha frente e ainda conversa comigo. Eu só posso estar ficando louca.
É, já sei, foi o livro, eu sabia que um dia ia começar a imaginar coisas. Mas já que senti dor mesmo, e pelo que me parece ele não vai embora tão cedoo, vou tentar ser educada.
-Afinal quem é você? e o que vc faz aqui?
-Hahaha calma, sou só uma voz na sua cabeça.
-Então eu realmente virei esquisofrenica --', mas pera ai, você responde.
-Uma pergunta de cada vez, sou um anjo não da pra ver? Eu cansei de fica la em cima e vim dar uma volta por aqui.
-Hahahaha, anjo? Realemnte eu estou louca, anjos não existem, são como fadas e duendes que são apenas hisotirinhas pra crianças durmirem mais tranquilas.
-Hahahaha. Ironico pra quem lê um livro que chama "memorias de um ANJO assassinado"
-Livro é livro, não é real.
-E eu sou o que então caralho?
-Ilusão, só pode.
-Você nunca acreditou em anjos ?
-Am... é, NÃO, nunca.
-Então por que não acredita agora ?
-Porqque isso não é real, eu devo ter caido no sono ou algo do tipo.
-Não vou mais discutir com você,devia ter ficado la em cima mesmo.
-ELE SUMIU! Ô.õ

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COMO?? Ahh, pra que ainda me pergunto? Ele foi embora do mesmo geito que apareceu, do nada, só posso estar sonhando mesmo, ele não podia ser real, não tme como, ultrapassa as leis da fisica... Apesar que... Não! Não! É muita viagem. Eu durmi, é isso, no meu sonho tinha um menino, isso um menino, que não era mal educado, muiito mal educado por sinal. Isso, foi apenas meu sonho, agora deixa eu acordar que tenho mais o que fazer.
Passou em frente ao espelho e parou como de costume para condenar sua aparencia fisica, ficou ali alguns minutos se rebaixando quando viu de fundo uma imagem desfocada, apenas reprovando seus comentarios, quando se virou para ver melhor, não tinha nada onde o menino tinha estado no espelho.
Afinal, quem é esse menino? E porque eu vejo justamente ele?

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Entao a garota levantou, tirou o cobertor de seu corpo e desceu as escadas até a cozinha,onde estavam seus pai entao ela se aproximou,pegou um prato cheio de arroz feijao e batatas puxou uma cadeira e sentou,
- Pai -Disse a garota tentando pegaar a batata com o garfo.
- Oi quirida - Disse o pai.
- O senhor já teve sonhos que pensou ser verdade ?
- Já, isso é normal amor,mas... como foi esse sonho ?
- A deixa pra la...
-Mas oque houve?
- Apenas um sonho-Mechia na comida - nada demais é que pareceu muito real....
- Um garoto ,que aparecia do nada, dizia que era um anjo q que eu tinha que acreditar nele
-Filha,você anda usando drogas - e olha para ela com cara de espanto.
-Pai foi só um sonho - dizia ela tentando acreditar no que havia dito.
-Essas historias de sonho...quem é o seu "anjo"-Dizia o pai com um sorriso meio malandro no rosto
- Pai... eu não to afim de fala disso com vc- diz sorrindo da mesma maneira qe seu pai, mas o anjo continuava na sua cabeça.
- Sei,sei... Mas se encontrar qualquer marmanjo expulso-o a base da vasourada intendido.
- Ta certo pai, agora vou pro meu quarto certo? Hm... lição, sabe como que é?
Ela Sai da mesa e foi subindo rápido a escada, não tinha lição alguma queria apenas um tempo para pensar, abrindo a porta se depara com o mesmo anjo de seu suposto sonho
-"poorra" não foi sonho ¬¬ -Pensou a garota
- Posha, você deichou nem um pouco de comida pra mim - disse o menino anjo sentato na cama da menina com os pés em cima do criado mudo.
- Como se eu me preocupasse com vc... ¬¬
-Quer que seu anjo da guarda morra?
-E se eu quiser?
-Você nao vai consegui não porque... eu já tô morto tá ? -dando um sorriso sarcastico
- Eu posso pelo menos saber o porque de você me perseguir tanto? - Disse ja curiosa com tudo aquilo
- Eu posso pelo menos saber o porque de você me fazer perguntas dificeis ?
- Eu tenho esse direito ou vc acha que é assim invadir minha vida e só.
-A ta bravinha? só seu anjo da guarda, é meu dever, sacomé né ?
- anjo da guarda? ok,vamos supor que eu acredito nisso... Porque eu?
-Todo mundo tem um deer,oque eu faço pra voce acreditar em mim ein ?
- Me prove- dizia a garota cruzando os braços
-Ta fecha os olhos,jah fechou ?
-Uhum
-Toma (:
O jovem anjo da um tapa na testa ta menina afim de provoca-la
-Ai, besta doeu
-suhsuhs nao tem como eu te prova ou você acredita ou não ¬¬
- Um anjo deveria ser algo menos sólido não?
- Eu sou um anjo,não um fantasma,eu sou humano...pelo menos já fui mas enfim você ja entendeu né ?
- Você se lembra de algo quando ainda era humano? - disse sem conseguir esconder sua curiosidade .